Enurese noturna monossintomática

Rejane de P. Meneses
2001 Jornal de Pediatria  
Objectives: Monosymptomatic nocturnal enuresis (MNE) plays a very important role in the practice of pediatrics due to its high prevalence, its psychosocial impact, and its controversial etiology and treatment. Our objective was to show that MNE can be a welldefined clinical entity (monosymptomatic), but it can also be a symptom of urinary disorder, thus requiring a completely different therapeutic approach. Methods: the literature presents numerous publications related to the matter of MNE,
more » ... matter of MNE, thus we tried to select, for this review, the classical and the most recent publications from internationally recognized authors; in addition, we also have a 13-year work experience at the Unit for Urinary Disorders of the Pediatric Nephrology Center of the state of Paraná (Unidade de Distúrbios Miccionais -Centro de Nefrologia Pediatrica do Paraná). Results: the lack of a well-defined, international consensus on the concept, terminology, and classification of MNE is an obstacle for the assessment of the numerous studies found in the literature. The individualization of the MNE clinical entity is the fundamental starting point for providing appropriate guidance for patients. Enuresis can be found in most societies and, thus, it gives way to several interpretations and forms of treatment. There is a consensus, however, on the damage to the self-esteem of enuretic children, and consequently, on the advantage of proper treatment. Conclusions: in most cases, MNE is kept as a family secret while children remain without proper guidance and treatment and suffering with the lack of understanding and damage to their self-esteem. Doctors should survey patients extensively for MNE during pediatric appointments. It is possible to discard other diagnoses with a detailed survey of habits, quality of the urination, and history of urinary infection and a meticulous physical examination. MNE should be faced as a medical problem worthy of the attention of professionals and patients' families. J Pediatr (Rio J) 2001; 77 (3): 161-8: enuresis, child, desmopressin, enuresis alarm. Resumo Objetivo: a enurese noturna monossintomática (ENM) ocupa papel de destaque na prática pediátrica, pela alta freqüência, pelo impacto psicossocial e por ser assunto controverso em relação à etiologia e ao tratamento. O principal interesse deste trabalho é mostrar que a ENM é uma entidade clínica bem individualizada. A enurese noturna pode ser sintoma de distúrbio miccional cuja abordagem terapêutica é completamente diferente. Métodos: encontramos na literatura uma enorme quantidade de publicações, mas procuramos selecionar, para esta revisão, as publicações clássicas e as mais recentes, de autores internacionalmente reconhecidos como estudiosos neste tema; além disso, trazemos a experiência acumulada ao longo de 13 anos no Centro de Nefrologia Pediátrica do Paraná -Unidade de Distúrbios Miccionais. Resultados: a falta de consenso internacional bem definido quanto a conceituação, terminologia e classificação dificulta a avaliação dos inúmeros estudos publicados na literatura. A individualização da entidade clínica ENM é o ponto de partida fundamental para uma orientação adequada do paciente. A enurese não é um mal da civilização moderna e encontra-se presente na maioria das sociedades, dando oportunidade às mais diversas interpretações e propostas de tratamento (1). Há consenso em relação ao prejuízo da auto-estima em crianças enuréticas e, portanto, em relação ao benefício de seu tratamento. Conclusões: a enurese noturna continua sendo um grande segredo de família, e muitas crianças permanecem sem orientação e tratamento, sofrendo por falta de compreensão e tendo sua autoestima atingida. A ENM deve ser ativamente pesquisada na ocasião da consulta pediátrica. Um interrogatório detalhado sobre hábitos e qualidade da micção, antecedentes de infecção urinária e exame físico minucioso, permite descartar outros diagnósticos. A ENM é um problema médico, merecedor de atenção dos profissionais e familiares. J Pediatr (Rio J) 2001; 77 (3): 161-8: enurese, criança, desmopressina, alarme de enurese. Enurese noturna monossintomática Monosymptomatic nocturnal enuresis Rejane de P. Meneses* A enurese noturna através dos tempos O primeiro documento sobre a enurese, o papiro de Ebers, foi encontrado em Luxor há 3.500 anos, revelando que eram administrados à criança e à mãe medicamentos à base de plantas aquáticas, sugerindo caráter familiar. Trinta e cinco séculos depois, a incidência familiar é evocada por Guyon. Na época grego-romana, Aristóteles, discípulo de Platão, fez as primeiras reflexões sobre as causas da enurese, observando a dificuldade da criança em acordar. Na civilização bizantina atribuía-se a enurese a um relaxamen-
doi:10.1590/s0021-75572001000300005 fatcat:lsbrqgqw7rhhzhnijuehuups64