Cultura e humanidades: a abordagem arquetípica

Evelyn Hinz, John Teunissen
1995 Revista Leitura  
No apêndice a 7?// Have Faces^ depois de deliberadamente apresentar ao leitor a história de Cupido e Psiquê tal qual ela aparece em O Asno de Ouro^ e também após chamar a atenção do leitor para o fato de que o Asno de Ouro contém a primeira versão conhecida daquela história, C. S. Lewis passa a fazer o que à primeira vista parece ser ou uma asserção totalmente exorbitante ou uma brincadeira; ou seja, a dizer que a sua versão da história de Cupido e Psiquê em Till We Have Faces é mais verdadeira
more » ... e conseqüentemente mais próxima ao espírito do mito do que a de Apuleio. Longe de negar irresponsavelmente o seu débito com a matriz, no entanto, e menos ainda de tentar começar a busca do mito de Ur, a asserção de Lewis é uma enunciação séria daquela que é a premissa principal da critica arquetipica -uma premissa da qual, devidamente, partem todas as diferenças radicais entre esta e as críticas mais tradicionais; como também entre a cntica arquetipica como nós passamos a entendê-la, e muitas outras que se dizem enquadrar nesta categoria. A base para a asserção de Lewis (de que a sua versão do mito de Cupido e Psiquê é mais verdadeira do que a de Apuleio) deverá ser encontrada, em primeiro lugar, numa compreensão interdisciplinar da natureza dos arquétipos, pois é na própria questão da definição e suas implicações que certas diferenças principais começam a se manifestar. Em contraste com críticos como Eliot e Fi^e, para quem o arquétipo é relativamente sinônimo de um protótipo literário ou de um modelo recorrente, e também em contraste com aqueles que usam uma definição integra! e unicamente rirada das obras de teóricos nâo-literários como Mircea Eliade, Jung ou Erich Neumann, a nossa definição deriva de uma síntese daquilo que tanto estes como muitos outros -Platão, G. E Lessing, Walter Otto em sua última fase, Rudolf Otto,
doi:10.28998/0103-6858.1995v2n15-16p47-55 fatcat:2zstt6xnzzer7g35my4v7gdggm