II-VIOLÊNCIA-AGRESSIVIDADE Recurso à Violência e Transformação Social Perspectivas da Teologia da Libertação1

Walter Altmann
unpublished
Quanto mais conheço a violência, mais a condeno e a detesto como instru­ mento de progresso humano e de transformações sociais. No entanto, (...) morrer por uma causa justa, ainda que aceitando o recurso à violência, é muitíssimo mais admirável do que converter-se em instrumento da pior das violências: aquela que se apresenta com a máscara da paz, da legalidade ou da democracia, mas que em realidade nada mais é do que a fonte da injusti­ ça social.2 Essas palavras, sem dúvida ainda atuais,
more » ... ainda atuais, foram pronunciadas há mais de 20 anos pelo intelectual leigo católico brasileiro Tristão de Athayde3, refe­ rindo-se à opção guerrilheira do sacerdote colombiano Camilo Torres, do filósofo francês Regis Debray e do médico argentino Ernesto " Che" Gueva-ra. Camilo Torres e " Che" Guevara já estavam mortos. A citação nos intro­ duz no tema que pretendemos reexaminar. De imediato façamos uma constatação: quem se puser a pesquisar a teologia da libertação latino-americana, na expectativa de que o tema da violência-ou até mesmo o da doutrina da guerra justa-desempenhe nela um papel central, ficará bastante desapontado. Na maioria dos livros nada constará a respeito do assunto, e as abordagens ou referências que en­ contrar de maneira nenhuma lhe proporcionarão uma perspectiva unifor­ me. Evidentemente, o eixo central da teologia da libertação é outro4. Segun­ do Gustavo Gutiérrez, a questão da violência é uma " árvore que amiúde escondia o bosque" 5. O quadro já não é o mesmo se considerarmos a questão da transfor­ mação social. Essa, sim, é abundantemente mencionada e tratada como exi­ gência primordial e urgente na América Latina. Basta aqui relembrarmos a primeira frase da Tèologia da Libertação, de Gustavo Gutiérrez, livro que em 1971 deu início sistematizado a essa corrente teológica: Intenta este trabalho uma reflexão, a partir do evangelho e das experiências de homens e mulheres comprometidos com o processo de libertação neste sub-126
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