Significados medievais da maçã: fruto proibido, fonte do conhecimento, ilha Paradisíaca 1 Medieval Significances of the Apple: Forbidden Fruit, Source of the kwowledge, Paradisiac Island

Adriana Zierer
unpublished
Resumo: Neste artigo procuramos analisar algumas das simbologias da maçã. Apesar de outros frutos estarem associados ao pecado original, como o figo e a uva, a maçã a partir do século XIII passou a ser a principal representação da transgressão de Adão e Eva no Éden. A ingestão do fruto proibido significou a possibilidade de atingir o conhecimento através do livre-arbítrio, mas também levou ao sofrimento (a expulsão do local divino, a necessidade do trabalho e as dores no parto). Em outras
more » ... as, como a germânica, para obter a sabedoria o deus Wotan abdicou da visão de um dos olhos e ficou nove dias pendurado na árvore Yggdrasil sem comer ou beber. A maçã também está ligada ao simbolismo da árvore, eixo do mundo, associada à cruz e a Cristo. Como se acreditava que o conhecimento vinha do alto, uma metáfora era a arbor inversa, cujas raízes estão no céu, sendo Cristo o mais belo fruto enviado pelo céu (Deus) à terra (Maria). Outro simbolismo da maçã é a de Insula Pomorum, reino do Outro Mundo repleto de abundância e prazeres, descrito por Geoffrey de Monmouth no século XII como local onde ao vez de grama o solo é coberto por maçãs. Na mitologia céltica, esta fruta simboliza a magia, a imortalidade e o conhecimento. Para os medievais era confortante o sentido da maçã como Ilha dos Bem-aventurados, possibilitando o acesso dos indivíduos num mundo 1 A idéia de escrever este artigo foi inspirada pela conferência do medievalista Hilário Franco Jr. realizada em 1999 no III EIEM (Encontro Internacional de Estudos Medievais), intitulada Entre o figo e a maçã: hesitações medievais quanto à concepção do fruto proibido e devido à recorrência da maçã nas fontes que pesquiso atualmente. Esta fruta também evoca o simbolismo da árvore, fundamental para as culturas céltica e germânica, as quais venho pesquisando atualmente através do BRATHAIR-Grupo de Estudos Celtas e Germânicos, cuja formação iniciou-se durante o III EIEM (evento organizado pela ABREM-Associação Brasileira de Estudos Medievais).
fatcat:udbyvnqg4zht5ftggu3apcgszu