Os ciclos ficcionais da borracha e a formação de um memorial literário da Amazônia [thesis]

Rafael Voigt Leandro
2] LEANDRO, Rafael Voigt. Os ciclos ficcionais da borracha e a formação de um memorial literário da Amazônia. 2014. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasília para obtenção do título de Doutor em Literatura Brasileira. BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. HENRYK SIEWIERSKI (TEL-UnB) Presidente Profa. Dra. MARIA ISABEL EDOM PIRES (TEL-UnB) Membro Interno Prof. Dr. PAWEL JERZY HEJMANOWSKI (TEL-UnB) Membro Interno Prof. Dr. JOÃO BATISTA CARDOSO (UFG) Membro
more » ... O (UFG) Membro Externo Prof. Dr. FRANCISCO FOOT HARDMAN (IEL-Unicamp) Membro Externo Prof. Dr. ROGÉRIO DA SILVA LIMA (TEL-UnB) Suplente [3] AGRADECIMENTOS Primeiramente, devo agradecer a Deus pela vida. Aos meus pais, pelo amor e por me darem o alicerce educacional para minha formação acadêmica. A Laila, minha esposa, e a sua (minha) família, pelo amor, carinho e incentivo. Aos meus irmãos, pela amizade sincera. Aos amigos, pelo estímulo. Ao meu orientador, Prof. Dr. Henryk Siewierski, por abrir as portas do mundo literário amazônico para mim e pela parceria de longa data. A Jorge Brito, bibliófilo e pesquisador, por me abastecer com farto material. À Biblioteca Central da UnB, pela acolhida mesmo em períodos de greve. Deixo também um especial agradecimento aos solícitos funcionários do Setor de Obras Raras. Aos professores e funcionários do TEL/IL/UnB que, de algum modo, viabilizaram cada etapa deste trabalho. Por fim, a todos aqueles que me antecederam na desafiadora tarefa de interpretar a Amazônia. De algum modo, acompanharam-me e inspiraram-me diuturnamente nas pesquisas desenvolvidas para este projeto. [4] RESUMO O ciclo da borracha é tema recorrente na ficção amazônica desde o início do século 20, quando ocorreu o boom da era gomífera na Amazônia. A repetição desse mote literário por largo período histórico, que alcança a contemporaneidade, resultou no aparecimento de ciclos ficcionais da borracha. Nesta tese, tem-se como objetivo investigar de que modo alguns dos representantes dos ciclos ficcionais da borracha trabalham com a memória cultural amazônica envolta na representação literária do "século da borracha". Para tanto, parte-se do que se chama de protomemória do ciclo, presente na literatura de Alberto Rangel, demonstrando sua vinculação ao projeto amazônico de Euclides da Cunha, por meio da análise do conto "O marco de sangue" (de Sombras n'água, 1913), a respeito dos conflitos entre Brasil e Bolívia pelo território do Acre. Depois, avança-se para a memória do indianismo nos seringais, em Ressuscitados (1936), de Raimundo Morais. Em Belém do Grão-Pará (1960), de Dalcídio Jurandir, expõe-se o problema da conservação da memória política e social sobre a formação da periferia de Belém, após a decadência da belle époque amazônica. No romance Coronel de Barranco (1970), de Cláudio de Araújo Lima, analisam-se as marcas memoriais de um narrador confessional que se alinha à primeira geração desses ciclos ficcionais, embora pertença a geração posterior, o que descortina o dilema da pós-memória. Na sequência, defronta-se com a memória global do ciclo em Mad Maria (1980), de Márcio Souza, em que se revelam os sentidos de globalização inerentes à construção da ferrovia Madeira-Mamoré. Por fim, Dois irmãos (2000) e Órfãos do Eldorado (2008), ambos de Milton Hatoum, revelam narradores metamemoriais, com diversos atravessamentos históricos dos tempos do látex. Diante de todo esse acúmulo de memórias sobre o ciclo da borracha, desvela-se a formação de um memorial literário amazônico, uma vez que esses ciclos ficcionais servem de lente de aumento para a realidade socioambiental, política e histórica da Amazônia em qualquer época. Palavras-chave: Ciclos ficcionais da borracha; Memória cultural; Pós-memória; Memorial literário amazônico. [5] ABSTRACT The rubber boom is a recurring theme in the Amazon fiction since the early 20th century, when the rush of rubber had occurred in the Amazon. The repetition of this literary subject by broad historical period, reaching the contemporary, resulted in the appearance of fictional rubber booms. This thesis has aimed to investigate how some of the representatives of fictional rubber booms work with Amazon cultural memory in the literary representation of the "rubber century". Therefore, this thesis starts from the socalled protomemory of ficcional cycle in Alberto Rangel"s literature, demonstrating its connection to the Amazonian project of Euclides da Cunha, with the analysis of the short story "O marco de sangue" (Sombras n'água, 1913), about the conflict between Brazil and Bolivia through the territory of Acre. Then it progresses to the memory of Indianism in the seringais in Ressuscitados (1936), by Raimundo Morais. In Belém do Grão Pará (1960) , Dalcídio Jurandir exposes the problem of policy and social memory on the formation of the periphery of Belém, after the decay of the Amazon belle époque. In the novel Coronel de Barranco (1970), by Claudio Araújo Lima, there are the memories marks of a confessional narrator aligned with the first generation of these fictional cycles, although it belongs to another generation. This feature reveals the dilemma of post-memory. In the following chapter, the global memory about the rubber boom appears in Mad Maria (1980), by Márcio Souza, and reveals the meanings of globalization inherent to the construction of the Madeira-Mamoré railway. Finally, Dois irmãos (2000) and Órfãos do Eldorado (2008), by Milton Hatoum, present metamemorial narrators, with several historical crossings of rubber"s time. With all this accumulation of memories about the rubber boom, it"s possible to notice the formation of an Amazonian literary memorial, because these cycles fictional are as a magnifying glass for observing the environmental, political and historical reality of the Amazon at any time.
doi:10.26512/2014.12.t.17742 fatcat:m7kcrszwwje4le54xvddpdeyie