Bacias hídricas da ecorregião de São Tomé: Rio Guaxindiba [chapter]

Arthur Soffiati
2019 Engenharia & Ciências Ambientais : contribuições à gestão ecossistêmica  
Embora pequena, a bacia do Guaxindiba apresentava pujança ambiental. Nascendo na zona serrana, ela chegava ao mar, depois de cruzar os tabuleiros entre os rios Paraíba do Sul e Itabapoana. Sua integridade ecológica foi mantida até o século XIX, quando as florestas estacionais semideciduais que a cercavam começaram a ser abatidas pelo fogo ou pelo machado. No século XIX, o canal do Nogueira, destinado à navegação, pretendia ligar a margem esquerda do Paraíba do Sul e a lagoa do Campelo. Houve um
more » ... o Campelo. Houve um projeto de prolongar o canal até o rio Guaxindiba para fins de navegação. A obra foi começada, mas não chegou sequer à lagoa do Campelo por falta de recursos financeiros. No século XX, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) retirou do papel o mais exequível dos projetos e ligou o rio Paraíba do Sul ao rio Guaxindiba por dois canais, valendo-se da lagoa do Campelo. Do Paraíba do Sul ao Guaxindiba, ele abriu o canal do Vigário, e dela ao Guaxindiba, o canal Engenheiro Antonio Resende, valendo-se da foz do rio Guaxindiba, que passou a ser afluente do canal. O manguezal sofreu impactos, mas teve sua área ampliada. Contudo, o resultado foi a redução de vazão da bacia, a erosão das margens dos rios constituintes, o assoreamento, a urbanização desordenada do trecho final, o despejo de agrotóxicos e de fertilizantes químicos, bem como o lançamento in natura de esgoto e de resíduos sólidos, com o agravante de óleo de barcos de pesca. O conjunto de tensores transformou profundamente a bacia, que apenas conta com a Estação Ecológica Estadual de Guaxindiba em suas margens como resultado de política pública de proteção de um fragmento de mata nativa e de alguns afluentes da bacia. Bacias hídricas da ecorregião de São Tomé: rio Guaxindiba Arthur Soffiati Engenharia e ciências ambientais: contribuições à gestão ecossistêmica As pegadas da civilização ocidental De passagem pelas plagas correspondentes ao atual território de São Francisco de Itabapoana, em 1815, dirigindo-se à Bahia, o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied caminhou pela praia até que: Uma trilha, vindo da costa, cedo nos conduziu, através de espessos bosques, a uma grande floresta (...). Na escura e imponente mata virgem achamos bonitas plantas, e o soberbo Convolvulus de flores azul-celeste enlaçava-se nos arbustos, até grande altura. O pio forte do "juó", em três ou quatro notas, é ouvido nessas matas imensas, em todas horas do dia e mesmo à meia-noite. Três anos depois, em 1818, a floresta parece a mesma aos olhos do arguto Saint-Hilaire, que, ao seguir os passos do seu colega naturalista, anota em seu diário de viagem: Findamos por distanciarmo-nos da praia e penetramos em uma floresta (...) durante todo o dia apenas encontramos água doce em um pequeno lago pantanoso (...). Durante muito tempo continuei a atravessar a floresta.
doi:10.19180/978-85-99968-58-1.2 fatcat:rfjceprkvra6rdbbygpkv6ty3q