Fatores ocupacionais associados à dor muscoloesquelética em professores

Isadora de Queiroz Batista Ribeiro, Tânia Maria de Araújo, Fernando Martins Carvalho, Lauro Antonio Porto, Eduardo José Farias Borges dos Reis
1970 Revista Baiana Saúde Pública  
Resumo Objetivou-se identificar fatores ocupacionais associados à dor musculoesquelética em professores. Realizou-se estudo de corte transversal, censitário, com professores da rede municipal de ensino fundamental de Salvador, Bahia. Foram avaliadas características do trabalho docente, ambiente laboral e dor musculoesquelética em membros inferiores, superiores e costas/ coluna. Foram estudados 4.495 professores. A prevalência de dor musculoesquelética foi de 41,1% em membros inferiores, 41,1%
more » ... inferiores, 41,1% em costas/coluna e 23,7% em membros superiores. Estavam associadas à dor musculoesquelética, após ajuste por idade e sexo, em membros inferiores: ensinar em turma única, trabalhar em mais de uma escola, não possuir outra atividade remunerada além da docente e muito esforço físico no trabalho; em membros superiores: não possuir liberdade para tomar decisões, número médio de alunos ≥ 30 e muito esforço físico no trabalho; em costas/coluna: número de turnos trabalhado ≥ 2, ensinar em turma única, carga horária ≥ 40 horas e muito esforço físico no trabalho. Muito esforço físico no trabalho esteve associado à dor musculoesquelética nas três regiões corporais estudadas. Os achados apontam a necessidade de mudanças nas características e condições do ambiente de trabalho docente, para prevenir ou reduzir a ocorrência de sintomas musculoesqueléticos. Palavras-chave: Dor musculoesquelética. Ensino. Exposição ocupacional. Saúde do trabalhador. Dor. Abstract This study aims to identify factors associated to occupational musculoskeletal pain in teachers, in the context of a cross sectional epidemiological study comprising all 4.495 teachers in the public basic education network from Salvador City, Brazil. The dependent variable was musculoskeletal pain in three body segments (lower limbs, upper limbs and back). Musculoskeletal pain was studied according to sociodemographic, workplace and teachers' work organization characteristics. Logistic regression was performed to examine the association between pain and musculoskeletal features of teaching. The prevalence of musculoskeletal pain was 41.1% in the lower limbs, 41.1% in back and 23.7% in the upper limbs. The prevalence of musculoskeletal pain was strongly associated with several variables, after adjusting for age and sex: in the lower limbs: teaching only one class, working at more than one school, having no other productive activity besides teaching and excessive physical effort at work; in the upper limbs: no freedom to make decisions at work, more than ≥ 30 students in the classroom and excessive physical effort at work; and in the back: working ≥ 2 or more shifts, teaching only one class, weekly work burden ≥ 40 hours and excessive physical effort at work. Excessive physical effort at work was the only variable that was associated with musculoskeletal pain, in the three body segments investigated. These findings point out the need for changes in environmental characteristics and in the conditions of teachers' work in order to prevent the occurrence of musculoskeletal symptoms. Key words: Musculoskeletal pain. Teaching. Occupational exposure. Occupational health. Pain. FACTORES DE TRABAJO ASOCIADOS AL DOLOR MUSCULOESQUELÉTICO ENTRE PROFESORES Resumen Este estudio tuvo como objetivo identificar los factores laborales asociados con el dolor musculoesquelético en profesores. Se realizó un estudio de corte transversal, censal, con los profesores de la red municipal de enseñanza primaria en Salvador, Bahia. Fueron evaluadas las características del trabajo docente, el ambiente de trabajo y el dolor musculoesquelético en extremidades inferiores, superiores y espalda/columna vertebral. Se estudió a 4.495 profesores. La prevalencia de dolor fue del 41,1% en los miembros inferiores, 41,1% en la espalda/columna vertebral y el 23,7% en las extremidades superiores. Estaban asociadas a dolor musculoesquelético,
doi:10.22278/2318-2660.2011.v35.n1.a1017 fatcat:yvoh7sebcraq7cvasjd3d4kvym