SPINOZA E ESPINOSA: EXCURSO ANTROPONÍMICO

André Dos, Santos Campos
unpublished
a sua dissertação em torno do tema "modelos de juridicidade na filosofia de Spinoza", sob orientação dos professores Diogo Pires Aurélio e Viriato Soromenho-Marques. 2 V. Willem Meijer, Spinoza en Blyenbergh, Navorscher, 1905, e também S. Dunin-Borkowski, Der Junge De Spinoza. Leben und Werdegang im Lichte der Weltphilosophie, Münster, Aschendorf, 1910. N ão intenta o presente texto resolver em definitivo a questão filosoficamente irrelevante da correta grafia do nome do filósofo holandês. Nem
more » ... sofo holandês. Nem tão pouco intenta estabelecer comandos de orientação no sentido de uma ou outra grafia preferível. E muito menos intenta vestir uma capa de aparente erudição, recorrendo a análises históricas e filológicas que demonstrem a genuína origem do nome do filósofo. Pelo contrário, não passa afinal de uma justificação analítica, em tom conciliatório, das opções gráficas dos vários membros da comunidade estudiosa da obra do filósofo holandês, assim como da comprovada preferência do autor destas linhas. Nenhuma novidade se revela na afirmação segundo a qual, desde os inícios do século XX, há o que se considera ser uma crise onomástica nos estudos envolventes da obra filosófica do autor da Ética. Poder-se-á sustentar que Willem Meijer e Dunin-Borkowski 2 , ao questionarem a retitude da grafia Spinoza, até então imune a exame crítico de caráter científico, e ao proporem conseqüentemente aquela que criam ser a mais utilizada pelo próprio filósofo, a de Despinoza, foram os causadores da crise por haverem tentado integrar lacunas inexistentes. Tal acusação a estes autores, contudo, tende a derivar de um louvor dirigido a um pedestal intocável onde é colocado o filósofo holandês, eximindo-o de críticas referentes a este problema: embora a sua condição de holandês judeu marrano fosse propícia a confusões onomásticas, a diversidade das formas das suas assinaturas preservadas até hoje é o contributo maior para a emergência de uma tal crise. A crise emerge da percepção onomástica que o filósofo tem de si. É verdade que só é atingível tal conclusão se se tomar como critério verossímil para a descoberta da grafia correta do nome a maneira através da qual o respectivo portador o reproduz por escrito 3. É no entanto a própria percepção onomástica de si pelo filósofo que, se não derruba e supera permanentemente este critério, pelo menos diminui a sua condição de suficiência e de exclusividade. Isto é facilmente demonstrável através do elenco das várias assinaturas reconhecíveis:
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