Textos portugueses do passado: para uma ediçao didáctica

Rita Marquilhas
2020
Justifica-se que os professores universitários, ocupados em cursos de história da língua portuguesa ou história do livro impresso, como é o meu caso, absorvidos por investigações sobre história da cultura escrita na Idade Moderna, como é também o meu caso, tenham conversa que interesse aos professores de Português dos Ensinos Básico e Secundário? O universo de alunos que uns e outros conhecem é bastante distinto, os programas do Básico e Secundário são largamente ignorados pelos investigadores
more » ... los investigadores das Universidades que se não ocupem das Ciências da Educação... Valerá mesmo a pena insistir no contacto científico entre estes profissionais que parecem tão alheados uns dos outros, distraídos por problemas específicos dos seus alunos, das suas escolas ou das suas carreiras? É claro que a pergunta é retórica e que julgo inequivocamente proveitoso o contacto mútuo. Os professores de linguística, de literatura e de Português, por exemplo, têm o desempenho profissional condicionado por uma formação académica comum. Resultado:falam linguagens muito próximas. Depois, uns recebem os alunos dos outros e pronunciam-se frequentemente contra lacunas que detectam nas suas turmas e das quais culpam o sistema de funcionamento das escolas básica e secundária. Finalmente, na Universidade, porque os programas das cadeiras são menos generalistas do que os préuniversitários, tem-se a oportunidade de falar pela primeira vez de conceitos que afinal se revelam elementares, e que poderiam, com vantagem, ter entrado no curriculum dos alunos em idade mais jovem.
doi:10.34632/mathesis.2000.3840 fatcat:oj7ck7kjkvdk5d7qiz44naevd4