Perspectivas para Estudos sobre o Apocalipse de Pedro

F.B. Leite, R.B. Wotckoski
2014 Revista Eletrônica Oracula  
__________________________________________________________________________ Introdução Há três textos dentre a literatura cristã antiga que recebem o título de Apocalipse de Pedro. Por isso é necessário esclarecer que no presente artigo não nos referimos ao Apocalipse Gnóstico de Pedro da Biblioteca de Nag Hammadi, nem ao Apocalipse de Pedro árabe, mas sim ao texto homônimo, que foi recebido como canônico por algumas igrejas da antiguidade e que chegou até nós por meio de três fragmentos gregos,
more » ... fragmentos gregos, uma versão etíope e de certo número de citações dos pais da Igreja. A origem do Apocalipse de Pedro é até o momento desconhecida. Duas evidências, uma interna e outra externa, sugerem o Egito como provável local de sua composição. Como evidência interna temos uma referência ao culto egípcio a animais, embora essa referência só conste no manuscrito etíope. Corrobora como evidência externa as referências de Clemente de Alexandria a ApPe 2 1 . Todavia, tais argumentos RESUMO O objetivo deste artigo é, em primeiro lugar, uma breve apresentação do Apocalipse de Pedro no que diz respeito aos seus manuscritos, ao seu gênero literário e ao seu conteúdo narrativo. Em segundo lugar, propor um esquema narrativo e apresentar uma crítica à maneira como algumas linhas teológicas tem estudado esse texto, para que assim, possa-se também, apresentar novas perspectivas de pesquisa. Palavras-chave: Apocalipse de Pedro -manuscrito -gênero -narrativa -teologia revista oracula ano 10 -número 15 -2014 são insufi cientes para assentar sua origem egípcia. Segundo Müller 2 , o que se pode afi rmar com certeza é que a versão etíope possui extensão pouco maior que as demais e que todas as citações antigas do ApPe provêm dessa versão. O que contribui para atestar sua antiguidade. Além disso, é quase unânime entre os estudiosos que, embora existam erros de tradução e, possivelmente elaborações tardias, a versão etíope do ApPe representa substancialmente o trabalho original de seu autor. 3 Com relação à sua datação, estudiosos como Vielhauer 4 e Müller 5 apontam como a primeira metade do segundo século como a mais provável. Embora alusões a 4 Esdras e a 2 Pedro colaborem com essa hipótese, a evidência de maior peso provem da menção que ApPe 2 faz ao anticristo, cujas referências podem ser associadas a Simão . líder de uma revolta fracassada dos judeus contra o poderio romano, entre 132-135 d.C., o qual concentrou em torno de si a esperança messiânica de seu povo. Eusébio relata, em sua História Eclesiástica, o testemunho de Justino Mártir, segundo o qual Bar-Cokhba teria punido com rigor os cristãos que se recusaram a negar que Jesus era o Messias. Além disso, no ano 133 d.C., teria executado os cristãos que se negaram a participar da revolta contra os romanos. De acordo com ApPe 2, Enoque e Elias seriam enviados para condenar esse falso profeta. Para Collins 6 e Janos Bolyki 7 , o autor do ApPe associou a atividade de Bar-Cokhba à crise escatológica daqueles dias e esperava para logo o fi m dos tempos. Se essa interpretação estiver correta, o ApPe fora escrito pouco tempo depois de 133 d.C, talvez 135 d.C. Os manuscritos Embora alguns Pais da Igreja como Teófi lo de Antioquia 8 , Clemente de Alexandria 9 , Metódio de Olimpo 10 , Macário de Magnésia 11 e Eusébio de Cesareia (ca. 260-341) 12 façam referência ao ApPe em seus escritos, o mesmo não consta do cânone defi nido no Concílio de Trento (1546) ou nos documentos ofi ciais das igrejas originários da Reforma Protestante, o que levou o ApPe a se tornar um texto apócrifo,
doi:10.15603/1807-8222/oracula.v10n15p89-104 fatcat:sjmuce5wlvgixpoa5rbjuipg3u