FFC/UNESP BALEIA NA REDE revista eletrônica do grupo de pesquisa em cinema e literatura DISCURSOS, INTERFERÊNCIAS E A CIDADE COMO SUPORTE: O GRAFITE DE MUROS INTERPRETADO A PARTIR DAS FUNÇÕES DA LINGUAGEM DE ROMAN JAKOBSON

Marcelo Da, Silva Araujo
2010 unpublished
Resumo: O artigo aborda os grafites de muros, assumidos como produções artísticas urbanas que ressignificam visualmente este ambiente. Proponho, para sua interpretação, uma metodologia autoral que tem por referência as funções da linguagem estabelecidas por Roman Jakobson, objetivando delinear uma contribuição teórica que se coloca como ferramenta de leitura desta e de manifestações afins nos espaços públicos contemporâneos. Palavras-chave: Grafite de muros. Metodologia. Funções da linguagem.
more » ... ões da linguagem. "Imagina pegar uma lata de spray com um bico de 4cm de largura e tirar uma finura de 10mm, "saquaé"? ... A "parada" tem que ser muito artista, "véio"..." (Remo, grafiteiro de São Gonçalo/RJ) A população brasileira está em sua grande maioria concentrada nas cidades. Nelas, se desenvolvem as principais atividades econômicas, criando uma relação de interdependência entre todos os que lá residem. Assim, é natural que as pessoas expressem suas ideias e crenças. E muitas vezes isto ocorre através dos suportes públicos: outdoors, paredes, no chão e nos muros. Estas manifestações podem ser então consideradas artísticas quando portam um sentido de embelezamento e de criatividade. O grafite de muros é, portanto, uma dessas manifestações. Considerando o momento histórico em que vivemos, a comunicação por imagens é uma das principais características de nossa existência, sendo aspecto essencial da experiência do ser urbano. Com as imagens do grafite, produções que se instalam como interferências na cidade, há que se fazer, se quisermos entendê-las, uma detida contemplação, sujeitando-as ao ritmo de nossa observação. Considerando sua especificidade, devemos lembrar que a interpretação consiste mais na tarefa de intermediação dos significados nelas presentes do que num processo de significação propriamente. Desse modo, o espectador/intérprete faz existir a imagem.
fatcat:szhzkgpcbzeklpvnk772dockpa