Escrever para (não) morrer em teoria geral do esquecimento, De José Eduardo Agualusa [thesis]

Rosa Gonçalves
Escrevo tateando letras. Experiência curiosa, pois não posso ler o que escrevi. Portanto, não escrevo para mim. Para quem escrevo? Escrevo para quem fui. Talvez aquela que deixei um dia persista ainda, em pé e parada e fúnebre, num desvão do tempo -numa curva, numa encruzilhada -e de alguma forma misteriosa consiga ler as linhas que aqui vou traçando, sem as ver. Ludo, querida: sou feliz agora. Cega, vejo melhor do que tu. Choro pela tua cegueira, pela tua infinita estupidez. Teria sido tão
more » ... Teria sido tão fácil abrires a porta, tão fácil saíres para a rua e abraçares a vida. Vejote a espreitar pelas janelas, aterrorizada, como uma criança que se debruça sobre a cama, na expetativa de monstros. Monstros, mostra-me os monstros: essas pessoas nas ruas. A minha gente. Lamento tanto o tanto que perdeste. Lamento tanto. Mas não é idêntica a ti a infeliz humanidade? (AGUALUSA, 2012a, p. 169-70) AGRADECIMENTOS Os agradecimentos de um sonho, se por acaso, fosse uma guloseima, poderia ser pago com as moedas correntes de qualquer país. O meu sonho só pode ser pago com nomes. E, assim começo a agradecer: À professora Doutora Maria Suzana Moreira do Carmo, extraordinária orientadora dos trajetos que precisei percorrer para transformar uma ideia neste texto dissertativo, sempre com muita calma e sabedoria transmitiu os seus conhecimentos; À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), pelo financiamento de pesquisa; Ao IFRO (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado de Rondônia), por permitir essa minha formação acadêmica; Ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários; À minha família, pela força, carinho e incentivo mesmo separados por muitos quilômetros; Aos meus filhos Daniel Vieira Gonçalves e Aílton Vieira Gonçalves, pelas palavras de ânimo e incentivo; Ao querido Antônio dos Santos Nascimento, pelo companheirismo e por ser meu pilar nessa reta final; Aos meus ex-alunos, motivo para sempre eu buscar aprender para eles e com eles; Ao professor Mestre Wanderson Bispo de Souza, por ter me apresentado às literaturas africanas; Ao professor Doutor Bruno Okoudowa e à professora mestra Vera Lúcia Ribeiro Azevedo, que me auxiliaram no projeto inicial; Ao professor Doutor Fábio Figueiredo Camargo, por quem tenho imensa admiração; Às professoras Doutoras Fernanda Aquino Sylvestre, Joana Luiza Muylaert e Elzimar Fernanda Nunes Ribeiro, pelos muitos ensinamentos; Ao Clube dos Cinco -Lilliân, Juan, Alina e Edson -pelas conversas e por me acompanharem nessa trajetória, dando sempre muito apoio e atenção; Aos colegas da Pós, que me acolheram e preencheram a distância da minha família; À amiga Gisele Pimentel Martins, pelas leituras e comentários sobre o meu texto; À Maiza Maria Pereira, pela dedicação e paciência; Ao Guilherme Gomes, pela solicitude; A Deus, meu sustento espiritual; Enfim, por todos os que acreditaram que eu podia. RESUMO Esta pesquisa salienta uma reflexão acerca do comportamento introvertido da personagem Ludovica Fernandes Mano, ou Ludo, protagonista do romance Teoria Geral do Esquecimento, de José Eduardo Agualusa, publicado em 2012. Desde o princípio, o romance desperta os olhares dos leitores com relação à memória pelo fato de a personagem, uma mulher portuguesa que passa a morar em Luanda, ter registrado sua história em diários e nas paredes de um apartamento, no início de 1975, ano da Independência de Angola, onde se autoenclausurou por quase trinta anos. No desenrolar da narrativa, surge um outro tema, decorrente do primeiro, que é o esquecimento. Percebe-se que a personagem procura afastar do quadro da vida as memórias que a atormentam. No entanto, ao enclausurar-se, ela convive com situações díspares. Uma delas, a primeira, conduz a jovem ao isolamento e ao desejo de esquecer e ser esquecida, ao passo que, na segunda, na apropriação da escrita, ela encontra refúgio e resistência quanto ao passado cruel e violento que a aflige. Desse exposto, o trajeto deste trabalho visa entrelaçar os pontos da memória que dialogam com o esquecimento para verificar se Ludo não estaria num jogo talvez de morte e renascimento, tentando proceder à reescrita de sua história. PALAVRAS-CHAVE: literatura; memória; esquecimento; José Eduardo Agualusa; escrita. A BSTRACT This research highlights a reflection about the introverted behavior of the character Ludovica Fernandes Mano, so-called Ludo, who is the protagonist of the novel A General Theory o f Oblivion published in 2012 by José Eduardo Agualusa. From the very beginning, the novel awakens readers' attention regarding memory due to the fact of that the character, who is a Portuguese woman who moves to Luanda, recorded her story in some diaries so as on the walls of an apartment by the beginning 1975. In this year, Angola became independent and inside this apartment she has shut herself for almost thirty years. By the time the narrative elapses, another theme appears, which results from the first one, the forgetfulness. It can be noticed when the character tries to remove from her life the memories that torment her. However, by shutting herself, she faces disparate situations. The first one leads the young woman to isolation so as the desire of forgetting and being forgotten, while in the second one she finds refuge and resistance from the cruel and violent past that afflicts her by the writing appropriation. Thus, the purpose of this work is to intersect the points of the memory that dialogue with the forgetfulness to verify if Ludo was not in a death and rebirth game, trying to rewrite her story.
doi:10.14393/ufu.di.2017.564 fatcat:gaxr6vdambajvcqalxnon4tmvq