RIOS, PONTES, BALSAS E FRONTEIRAS: UMA PROVOCAÇÃO DESDE A BRASILIDADE LIMINAR E PRECÁRIA DO VALE DO RIO ACRE

Marcello Messina, Jairo de Araújo Souza
2018 Muiraquitã. Revista de letras e humanidade  
RESUMO Redigimos este texto em Rio Branco, de onde, atravessando diversas pontes internacionais sobre o Rio Acre, acessamos facilmente os departamentos amazônicos do Pando (Bolívia) e de Madre de Dios (Peru). Do outro lado, temos acesso via estrada ao estado brasileiro de Rondônia, onde até hoje (junho de 2018) é preciso passar por uma balsa pelo Rio Madeira, já que a ponte sobre o rio ainda está em construção. Nesse trabalho, faremos uso de um corpus heterogêneo de materiais para lançar a
more » ... nte provocação: a verdadeira fronteira nacional do Brasil, nessa região, não é o Rio Acre, mas sim o Rio Madeira. Ou seja, o "Brasil" acaba de fato em Porto Velho, e nós, rejeitando a construção nacionalista e amazonialista do "Acre" como parte da "Amazônia brasileira", propomos repensar nossa identidade e nossas ações a partir dessa questão, mas também da imensa proximidade com as fronteiras pandina e a madrediosense. ABSTRACT We completed this work in Rio Branco: from here, crossing various bridges on 1 Doutor em Composição Musical pela University of Leeds (2013) e bolsista PNPD e Professor Colaborador vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade da Universidade Federal do Acre. 2 Mestre em Letras: Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre (2016) e professor dessa mesma universidade, lotado no Centro de Educação, Letras e Artes. Pacífico, uma rodovia que começa na cidade acreana de Assis Brasil, fronteira Brasil-Peru, e segue até Inambari, no pé dos Andes (ZANINI, 2017). Aliás, já em 2012, no popular blog de Altino Machado, Valdeci Nicácio Lima propunha um "boicote acreano contra bolivianos": Não se trata de racismo ou xenofobia, mas, sinceramente, está na hora de fazermos alguma coisa para demonstrar que paciência tem limite. É sabido que mesmo com todas essas benesses que o Brasil concede ao povo boliviano, nós só recebemos em troca cocaína, armas, produtos piratas, imigrantes ilegais com bugigangas, comércio ilegal e criminosos (LIMA, 2012).
doi:10.29327/216345.6.1-7 fatcat:yp77mpjiifcgdbomizqtfcpjya