Apresentação - educação especial e processos de escolarização

Carla K. Vasques, Claudio Roberto Baptista
2014 Educação & Realidade  
I Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre/RS -Brasil O debate contemporâneo sobre educação especial permite que esta seja identificada como uma área de conhecimento em percurso acelerado de mudança. Os processos de escolarização das pessoas consideradas público alvo da educação especial constituem o cerne dessa mudança, no sentido de alteração de rotas, redimensionamento de proposições, implementação de políticas, mas, sobretudo, reinvenção dos modos de se compreender
more » ... e se compreender quem são e como se constituem esses sujeitos. Partimos, portanto, da afirmação de algumas premissas que, ao valorizem a experiência escolar, anunciam a necessidade de que essas mudanças estejam fortemente ancoradas nos conhecimentos relativos a um sujeito que se constitui historicamente, por meio das relações que são produto e produtoras da interação de cada integrante das teias vivas e dinâmicas que assumem a configuração de instituições -escola, família, grupos sociais, espaços de trabalho, dentre outras. A centralidade dos processos de escolarização, como um dos eixos da orientação temática do presente dossiê, é facilmente justificada quando consideramos a história da educação brasileira. Na educação especial, a escolarização não é apenas uma proposição recente e tardia, mas se anuncia como território de controvérsias ao evocar polarizações que nem sempre consideram que a trajetória escolar, na escolar regular, seria uma meta defensável. Em direção que problematiza tais questionamentos, o conjunto de textos aqui apresentados tende a nos auxiliar na compreensão de que a pesquisa acadêmica deve ser valorizada como campo de conhecimento e debate, em função de seu compromisso com o novo, que se materializa na identificação do investimento naquilo que ainda não sabemos. O saber sobre a vida das pessoas com deficiência ou síndromes 1 nos mostra o recorrente predomínio de fenômenos vinculados à exclusão social que têm sido fortemente justificados pela suposta incompletude que se associa ao mito da imutabilidade, de precárias respostas à intervenção contextual e educativa. Tais crenças, há muito questionadas, continuam presentes vivamente no meio social e acadê-
doi:10.1590/s2175-62362014000300002 fatcat:ui4npmdbwbdkjprdmeohhamboa