Aspectos Imunológicos e Sorológicos da Paracoccidioidomicose

Aline Lyra Pereira, Fernanda Gobbi Amorim, Ronaldo Bragança Martins Júnior
2012 Revista Eletrônica de Farmácia  
Recebido em 07/07/2012, Aceito em 15/08/2012. Resumo: Recentemente, a paracoccidiomicose (PCM) foi listada entre as doenças infecciosas negligenciadas na América Latina. Sabe-se que sua patogênese ainda não está totalmente esclarecida, mas se acredita que a interação entre o fungo e a resposta imunológica do hospedeiro influenciam diretamente no curso da infecção. Paralelo a isso, os testes sorológicos têm um papel crucial no diagnostico e acompanhamento da doença e é imprescindível que esses
more » ... stes sejam cada vez mais sensíveis, acessíveis e reprodutíveis, e que possam estar disponíveis na rede de Saúde, para que se consiga diminuir os indicadores dessa doença no Brasil. Palavras chaves: micose, paracoccidioidomicose, testes sorológicos. Abstract: Recently, paracoccidiomicose (PCM) was listed among the neglected infectious diseases in Latin America. It is known that his pathogenesis is not yet fully understood, but it is believed that the interaction between the fungus and the host immune response influence directly the course of infection. Parallel to this, serological tests play a crucial Pereira, A. L.; Amorim, F. G.; Júnior, R. B. M. Revista Eletrônica de Farmácia Vol. IX (3), 29 -44, 2012. role in the diagnosis and monitoring of disease and is indispensable that these tests are more sensitive, reproducible and accessible, and that may be available on the network of Health, for one to reduce the indicators desssa disease in Brazil Keywords: mycosis paracoccidioidomycosis, sorological tests. Resumen: Recientemente, la paracoccidiomicose (PCM) fue incluida entre las enfermedades infecciosas desatendidas en América Latina. Se sabe que su patogénesis aun no es entendida completamente, pero se cree que la interacción entre el hongo y la respuesta inmune del huésped influyen directamente en el curso de la infección. Adicionalmente, las pruebas serológicas desempeñan un papel crucial en el diagnóstico y seguimiento de la enfermedad, por tanto, es esencial que estas pruebas sean más sensibles, reproducibles y accesibles, y que puedan estar disponibles en la red de Salud, para reducir los indicadores de esta enfermedad en Brasil. Palabras clave: micosis, paracoccidioidomicosis, pruebas serológicas. Introdução A paracoccidioidomicose (PCM), também conhecida como doença de Lutz, blastomicose sul-americana, blastomicose brasileira, moléstia de Lutz-Splendore-Almeida e micose de Lutz, foi descrita pela primeira vez em 1908, por Adolfo Lutz(1). A PCM é uma micose sistêmica causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis (Pb) que, na temperatura ambiente (25ºC), cresce na forma de filamentos septados que dão origem ao micélio, forma encontrada no solo como saprofítica permanente(1-2). Esse dimorfismo tem grande importância no diagnóstico laboratorial através da cultura, em que se pode observar crescimento nas temperaturas de 25ºC e de 37ºC(1-3-4). Essa habilidade pode ser considerada um fator de virulência, uma vez que o fungo consegue sobreviver à situações inóspitas no ambiente, como mudanças súbitas de temperaturas e se mantendo hábil a invadir o hospedeiro(2). Uma vez inalados, em contato com o tecido do hospedeiro a temperatura de 35ºC, os conídios dão origem à forma leveduriforme do fungo, considerada sua forma infectante. A PCM é uma micose considerada endêmica, característica da América Latina e tem sido considerada um problema de saúde pública de muitos países da região, uma vez que é a micose sistêmica de maior prevalência(1-3). O Brasil é considerado o de maior endemicidade (cerca de 80% dos casos)(5-6). Uma vez que a doença não é de notificação compulsória, não se tem dados precisos sobre a real incidência da micose no país, porém, dados baseados em inquéritos epidemiológicos e série de casos indicam que os estados de maior incidência são Rio de Janeiro, Minas Gerais e principalmente, São Paulo, embora a doença seja distribuída por quase todo o território brasileiro(3-7).
doi:10.5216/ref.v9i3.19256 fatcat:brvow6z3mzaadfjp77xdtlk6b4