Convivênda e Confrontação Reflexões Missiológicas sobre o Documento O Caminho para Damasco. Kairós e Conversão*

Hermann Brandt
unpublished
Introdução Baseando-se nas experiências das comunidades no assim chamado Ter­ ceiro Mundo, Theo Sundermeier, professor de Missiologia na Universida­ de de Heidelberg, descreve a convivência como estrutura fundamental de uma existência ecumênica hoje. Exemplifica o conteúdo dessa experiência a partir do que, na América Latina, se entende sob "convivência". Não é necessário repetir isso aqui. Entretanto, Sundermeier não se limita a explicar o que significaria " convivência" na América Latina, mas
more » ... América Latina, mas propõe a convivência como indício de uma existência ecumênica, ou seja, " convivência entre o Norte e o Sul". Entende esta convivência entre o Norte e o Sul como comunhão na ajuda, na aprendizagem, na celebração recíprocas. Onde se vive tal comunhão, diz ele, ninguém fica como está. Todos se transformam1. Notamos uma transformação também no conceito de convivência: ori­ ginalmente expressão das comunidades de base na América Latina, ele abran­ ge, na concepção de Sundermeier, as comunidades do Sul bem como do Norte. Mas tem mais! No Deutsches Pfarrerblatt foi publicado recentemente um artigo intitulado " Ökumenische Konvivenz im missionarischen Gemein­ deaufbau" , o que, traduzido literalmente, seria "Convivência ecumênica na edificação missionária da comunidade" , quer dizer: das comunidades na Alemanha. Da convivência logo se derivou um modelo de convivência ("ein Konvivenzmodell"). O que se espera deste modelo de convivência é um reavivamento das comunidades secularizadas na Alemanha, uma abertu­ ra para os membros afastados, uma revitalização da fé pessoal2. Quer dizer: no Terceiro Mundo surge uma idéia nova, fascinante, e no Primeiro Mundo logo se instrumentaliza tal idéia para fins próprios. Da convivência tira-se um modelo! E muitas vezes a missiologia, sem que­ rer, serve de corrente de transmissão. É um fenômeno que se pode constatar em diversos casos: uma experiência do Tèrceiro Mundo-como a convivên­ cia, ou a teologia da libertação-é tirada de seu contexto original e usa­ da como programa de ajuda para resolver problemas específicos do Primei­ ro Mundo. Aqueles que exploram, mesmo que com boas intenções, assim 27
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