QUE MALANDRO SOU EU? PARA UMA NOVA TIPOLOGIA DO MALANDRO BRASILEIRO

Delmar Bomfim
2014 Anais Seminário Interlinhas   unpublished
Resumo: Pretende­se fazer uma nova tipologia do malandro brasileiro que não somente o apresente como um indivíduo ou personagem única e exclusivamente brasileiro; essencialmente vadio, heterossexual, pobre, negro e mercadoria simbólica. Pretende­se também conceitua­lo e depois situa­lo nos diversos campos de representação, com o intuito de rediscutir algumas de suas características. A nova tipologia se aterá ao espaço carioca e soteropolitano, no período que vai de 1822 até 1970. A nova
more » ... 970. A nova tipologia ganha relevância porque passa a dar visibilidade a diversos tipos e subtipos de malandros pertencentes a diversos grupos raciais, sociais e de diferentes territórios, como também de diferentes categorias sexuais, e que estão ancorados em um conceito único: aquele que tem a malandragem como profissão ou ofício. Esse trabalho ganha também importância no Programa de Crítica Cultural por: dialogar com as diversas áreas do conhecimento ao tratar do tema; analisar a relação política do malandro com o Estado e com a cultura de massa que promoveu sua produção, comercialização e consumo; analisar sua relação estética com a Literatura; e por questionar a postura da intelectualidade que o acolheu e a postura das mídias: televisiva, jornalística e radiofônica que o divulgou. Espera­se que os resultados dessa pesquisa possam levar à desconstrução de crenças acerca do malandro que foram enraizadas e fossilizadas no imaginário popular brasileiro; e que o estereótipo do malandro folclórico, desatrelado da delinquência e atrelado única e exclusivamente à classe pobre, ao estrato social negro, ao território brasileiro, à heterossexualidade masculina, se desfaça e o malandro folclórico seja visto somente como uma manifestação artística e como uma variante dos diversos subtipos de malandro existentes. Palavras-chave: Malandro folclórico. Delinquência. Homossexualidade. Mulher malandra. Tipologia. INTRODUÇÃO A presente dissertação tem por objeto o malandro e tem a pretensão de fazer uma nova tipologia do malandro brasileiro que tem na sua nova composição três tipos (seguidos dos seus respectivos subtipos): malandro Filho de puta (malandro folclórico, malandro marginal ordinário e malandro marginal especializado), malandro Filho de algo (malandro fidalgo, malandro executivo, malandro hippie e malandro virtual); e o malandro Inverossímil (malandro simbólico, malandro mítico e malandro místico). Dessa nova tipologia criada, só o malandro folclórico-também alcunhado de embrionário, primitivo, empírico, de essência, romântico, emblemático e caricatural pela mídia e intelectualidade-não figura como elemento novo, porque já tinha existência concebida, por ter sido o único malandro conhecido e investigado que foi construído pelo compositor malandro, divulgado pela mídia, acolhido pela intelectualidade e comercializado, na era Vargas, pelo governo ditador. O que se pretende com essa nova tipologia é mostrar as diversas categorias de malandros na sociedade brasileira e não categorias diversas de malandragem. Definindo a Malandragem como a 1 Mestrando no Programa de Pós­Graduação em Crítica Cultural.
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