A atuação do enfermeiro na estomaterapia e a legislação brasileira: avanços e crescimentos da área

Eline Lima Borges
2016 Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro  
A reflexão sobre uma área profissional requer a análise de conceitos e marcos históricos, que ao longo do tempo sofrem modificações e adaptações concernentes a cada momento histórico que constitui a construção e renovação contínua da história. Nesse contexto, destacam-se a relevância dos registros e de suas análises, pois possibilitam sua contínua revisão e a preservação da memória de fatos, eventos que permitam interpretações das narrativas a fim de subsidiar inovações e prospecções. No que
more » ... specções. No que tange à Estomaterapia possui, notadamente, importantes marcos e avanços em sua história, alguns dos quais serão abordados a seguir. A estomaterapia é uma especialidade da enfermagem na modalidade de pós-graduação latu sensu (especialização) voltada para a assistência às pessoas com estomias, lesões e incontinências, nos seus aspectos preventivos, terapêuticos e de reabilitação em busca da melhoria da qualidade de vida (1) . Teve seu início no final da década de 1950, sendo reconhecida como exclusiva do enfermeiro em 1980 pelo World Council of Enterostomal Therapists (WCET). No Brasil, essa especialidade foi precedida por movimentos informais de profissionais e de pessoas com estomas e consagrou-se, em 1990, com criação do primeiro Curso de Especialização Enfermagem em Estomaterapia na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. O Órgão oficial da Estomaterapia no nosso país é a Associação Brasileira de Estomaterapia: estomias, feridas e incontinências (SOBEST). A Estomaterapia se faz presente em diversos países. Nos Estados Unidos ela é regulamentada pela Wound, Ostomy and Continence Nurses Society (WOCN). Atualmente, em 2016, o Brasil possui 19 (dezenove) cursos de Especialização de Enfermagem em Estomaterapia, sendo 16 (dezesseis) devidamente credenciados pelo WCET e referendados pela SOBEST, distribuídos em diversas regiões do país, conforme dados disponíveis no site da SOBEST (http://www.sobest.org.br/). O enfermeiro pós-graduado em estomaterapia é denominado pela SOBEST como Enfermeiro Estomaterapeuta (ET) e são reconhecidos somente aqueles formados por cursos referendados pela SOBEST. Esse especialista, após aprovação em prova de título por essa sociedade, é certificado como Enfermeiro Estomaterapeuta TiSOBEST. No Brasil, os cursos têm envidado esforços na formação de especialistas, principalmente em virtude do novo contexto saúde-doença, caracterizado pelo envelhecimento da população, que passa a demandar cuidados complexos, principalmente nas áreas de prevenção e tratamento de lesões de pele e incontinência urinária e fecal, e alguns tipos de câncer que exigem a confecção de estomias e estratégias de reabilitação do paciente.
doi:10.19175/recom.v6i2.1467 fatcat:zvt3vv6ojrcvvnjhlvdziw4hum