A dor que fala, a dor que cala: sentidos e formas do sofrimento em usuários atendidos na atenção primária em saúde, Ceilândia – Distrito Federal [thesis]

Josenaide Engracia dos Santos
A Deus, pela minha existência. A minha família (marido e filhos), pelos momentos em que tive de dizer "não posso ir", "não posso fazer agora" e "não posso estar". A minha orientadora, Profª.-Drª. Lenora Gandolfi, a quem sou muita grata pelo apoio à pesquisa durante todo o curso, encorajando-me, analisando, refletindo e assumindo a produção deste trabalho, facilitando, a conclusão desta tese com tranquilidade, firmeza, com muitos bons conselhos recheados de generosidade. À Profª.-Drª. Meirinha,
more » ... inha irmã na fé e companheira de estudo e pesquisa. A Paulo Dourado, um mestre da estatística, pela colaboração imprescindível ao trabalho. Aos gerentes dos Centros de Saúde onde foram desenvolvidas as pesquisas, todos abriram as portas, dando-me liberdade de ir e vir, com chuva ou sol, calor ou frio, em todas as Unidades Básicas de Saúde, na realização das entrevistas e atendimento com os profissionais. A estes, reconheço a gentileza, atenção e acolhimento. Aos profissionais das Equipes da Estratégia de Saúde da Família (médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, odontólogos, assistentes sociais, agentes comunitários de saúde entre outros) dos Centros de Saúde, pela disponibilidade com que viabilizaram as entrevistas e os atendimentos. Com vocês aprendi a essência didática deste trabalho, os desafios e a lição do compartilhamento. Obrigada a todos! RESUMO SANTOS JE. A dor que fala, a dor que cala: sentidos e formas do sofrimento em usuários atendidos na atenção primária em saúde, Ceilândia -Distrito Federal 2015.104. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) -Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília, Brasília (DF).2015. Esta tese trata do tema dor em usuários que recorrem à atenção primária à saúde (APS) em Ceilândia, Distrito Federal. O objetivo foi compreender o sentido atribuído à dor e caracterizá-la com relação a sexo, idade, tipo de dor, locais de dor e prescrição medicamentosa. Fundamenta-se no contexto da psicologia social e da medicina, sendo uma pesquisa qualiquantitativa, cujos métodos e técnicas consistiram em coletar, analisar, interpretar as práticas discursivas dos pacientes, tendo como teoria conceitual metodológica o construcionismo social e a análise estatística. Como instrumento para coleta das práticas discursivas, foi utilizada a entrevista semiestruturada. Para a caracterização da dor, foi utilizado o formulário de atendimento médico, e o software SAS® para a geração dos resultados. Os resultados da pesquisa indicam que os sentidos atribuídos à dor perpassam pelo binômio psíquico e somático, cuja descrição e explicação enfrentam diferenças da ordem do gênero; para o sexo feminino a dor se apresenta como difusa, indiferenciada; no sexo masculino, a dor é definida de forma objetiva e palpável. Nos recursos utilizados para alívio da dor no sexo feminino, é marcante a presença de psicofármacos e práticas corporais, e no sexo masculino o autocontrole e utilização de cuidado popular, como chás. Na caracterização da dor, existe predomínio de mulheres nos serviços de APS (61,60%) em relação aos homens (38,34%). Quanto à idade, predominou a faixa entre 60 a 79 anos (35,08%). A frequência da dor nos pacientes em geral foi de 61,12%. Quando a variável foi relacionada a sexo e dor física, observou-se que as mulheres apresentaram 41,77% de queixa, comparados aos 19,35% em homens. A odds ratio de dor física e sexo aponta que a chance de uma mulher declarar que possui alguma dor física é 2,043 vezes (variando de 1.436 a 2.906 com 95% de confiança) a chance de um homem declarar que possui alguma dor física; e a chance de uma mulher relatar que possui dor em maior quantidade de lugares no corpo é 3,10 (variando de 2.133 a 5.137 com 95% de confiança). Mulheres relatam mais dor psíquica que o homem, ou seja, a chance de uma mulher declarar que possui alguma dor psíquica é 5,763 vezes (variando de 3.560 a 9.331, com 95% de confiança) a chance de um homem declarar que possui alguma queixa de dor com características psíquicas. As mulheres utilizam todos os medicamentos pesquisados para analgesia quando comparadas aos homens. Tanto na narrativa dos usuários quanto em sua caracterização, as mulheres são protagonistas na utilização dos serviços de atenção primária e de seus recursos terapêuticos médicos. Todavia, vale ressaltar que em uma situação em que a mente não aceita a dor e os conflitos, tanto para homens quanto mulheres, o corpo irá responder de forma e sentido implacável falando ou calando. Palavras -chave: Dor. Atenção Primária à Saúde. Psicofármacos. ABSTRACT SANTOS JE. Speaking pain, silent pain: senses and suffering of users in primary health care, Ceilândia -Federal District/Brazil. 104f. 2015. Thesis (Ph.D. in Health Sciences) -Health Sciences Faculty of the University of Brasília, Brasília (DF/Brazil). 2015. This thesis deals with the theme of pain in users who use the primary care services (APC) in Ceilândia, Federal District/Brazil. The goal was to understand the meaning attributed to pain and characterize it concerning sex, age, type of pain, local and medication prescription. Based in the context of social psychology and medicine, it is a quali-quantitative research, whose methods and techniques consisted of collecting, analyzing, interpreting the discursive practices of patients, oriented by the statistical analysis and social constructionism as methodological conceptual theory. As a tool for collection of discursive practices, we used semi-structured interviews. To the characterization of pain, it was used the health care form, and the SAS® software to generate the results. The survey results indicate that the meanings attributed to pain permeate the psychic-somatic binomial, whose explanation and description face differences of gender order; for women the pain appears as diffuse, undifferentiated; in males, pain is established in an objective and tangible way. Among the resources used for pain relief in women, it is striking the presence of drugs and body practices, and in males are self-control and the use of popular care, as tea. In pain characterization, there is a predominance of women in the APS services (61.6%) regarding men (38.34%). Relating age, the predominant range is between 60 and 79 years old (35.08%). The frequency of pain in patients in general was 61.12%. When the variable was related to sex and physical pain, it was observed that women have 41.77% of complaints, compared to 19.35% in men. The odds ratio for physical pain and sex shows that the chance of a woman states that she has some physical pain is 2,043 times (range 1436-2906 with 95% confidence) the chance to a man declares some physical pain; and the chance of a woman reporting that pain has a greater amount of places on the body is 3.10 (range 2133-5137 with 95% confidence). Women report more psychological pain than men, that is, the chance of a woman states that she has some psychic pain is 5,763 times (range 3560-9331, with 95% confidence) the chance to a man declares he has any complaint of pain with psychological characteristics. Women use all researched medicinal products for analgesia when compared to men. Both in the narrative of users and in its characterization, women are protagonists in the use of primary care services and tits medical treatment resources. However, it is noteworthy that in a situation in which the mind does not accept the pain and the conflict, to both men and women, the body will respond in a relentless way and sense: talking or silent.
doi:10.26512/2015.07.t.19901 fatcat:rblozskfvfhi7fkut6kxqcw6fq