Gênero, trabalho e benefício de prestação continuada – considerações sobre as interfaces entre as políticas de previdência e assistência social [chapter]

M. C. ARAUJO, A. S. GAMA
2020 Políticas sociais e ultraneoliberalismo.  
Introdução Esse capítulo apresenta os resultados da pesquisa sobre a trajetória de trabalho dos requerentes do Benefício de Prestação Continuada (BPC), sob a perspectiva de gênero, realizada em 2018, em duas agências da Previdência Social, no município de Niterói, estado do Rio de Janeiro. Tínhamos como pressuposto que os (as) requerentes do BPC possuíam uma trajetória de trabalho, contudo, em virtude da precarização das condições e relações de trabalho não conseguiam alcançar os requisitos
more » ... r os requisitos para acessar os benefícios previdenciários, recorrendo ao benefício assistencial para acesso à renda, em virtude do processo de envelhecimento e doença/deficiência. Ademais, buscamos analisar as semelhanças e diferenças na conformação desse processo, considerando as relações de gênero. A incorporação dessa perspectiva contribui para desvelar os constrangimentos de gênero no trabalho que conformarão desigualdades no acesso às políticas de previdência e assistência social no país. Tais processos inerentes ao trabalho terão repercussões importantes para o acesso aos benefícios previdenciários e assistenciais. Nesse sentido, indagamos: de que forma as desigualdades de gênero no trabalho se mostram no âmbito das políticas previdenciárias e assistenciais? Qual é a influência do trabalho reprodutivo na trajetória de trabalho desses requerentes, considerando, ainda, que possam haver diferenças nesse processo quando se trata de idosas (os) e pessoas com deficiências? Essas distinções provocam demandas diferenciadas nas políticas de previdência e assistência social? Essas são questões que pretendemos responder nesse artigo. Para a consecução dos objetivos da pesquisa, realizamos 40 (quarenta) entrevistas semiestruturadas com requerentes do benefício assistencial, englobando tanto o segmento das pessoas idosas quanto o das pessoas com deficiên-
doi:10.29388/978-65-86678-20-8-0-f.163-180 fatcat:vh2bwqqjcfcgfmhjawbuau4c7a