Fúlvia Rosemberg (1942-2014)

2014 Cadernos de Pesquisa  
760 Cadernos de Pesquisa v.44 n.153 p.760-775 jul./set. 2014 FÚLVIA ROSEMBERG desde que a Fúlvia se Foi, há menos de um mês, recebo pedidos para dizer algumas palavras sobre ela, nos diversos encontros que têm ocorrido. Até agora eu não tinha conseguido fazer isso, mas hoje vou enfrentar esse desafio pela primeira vez. Antes de conhecê-la, ouvia falar dela, primeiro no Ginásio Experimental da Lapa, o GEPE 1, como alguém que fazia parte de uma misteriosa equipe A, com a qual eu nunca me
more » ... u nunca me encontrei. Depois, já na Fundação Carlos Chagas, nos anos 70, onde eu era uma assistente de pesquisa na equipe da psicóloga Ana Maria Poppovic, seu nome surgiu como mais uma pesquisadora sênior que ia chegar ao Brasil, com um charmoso doutorado francês. Embora um pouco mais velha que ela, eu fazia parte, junto de Elba, Guiomar, Nara, Yara, do grupo de assistentes das pesquisadoras doutoras que chefiavam os projetos de pesquisa. Nós ainda não tínhamos nos titulado, mas apenas iniciado nossos cursos de pós-graduação. Logo que chegou, Fúlvia montou uma equipe para trabalhar na área que a interessava mais no momento, que era a crítica da literatura infantil. Feminista, chegava com uma bagagem intelectual ainda pouco conhecida entre nós, com os primeiros ecos das políticas da diferença, que aqui mal arranhavam as denúncias das desigualdades sociais. Era como se Maio de 68 chegasse à FCC pela voz de Fúlvia. Os demais http://dx.
doi:10.1590/198053140020 fatcat:7yvf3sv5dzhrhj2vri66h3cv4q