Políticas da perfeição:

Cristiane Cecchin
2018 Fronteiras. Revista catarinense de história  
A ciência aliada à arte em um projeto de invenção do Brasil moderno. Mais especificamente, em um programa de inserção do país nos caminhos da modernidade ocidental, que se impõe na idealização de um mundo civilizado, completo, perfeito, paradigmático. Para o alcance de tais propósitos, torna-se primordial que as políticas estatais se orientem nos desígnios próprios da governamentalidade, com o foco das preocupações administrativas direcionado para a ordenação dos indivíduos em sua concepção
more » ... m sua concepção coletiva, na gestão da população. 2 Governar o povo, administrar os cidadãos como configuração da nação, implica construí-los, produzi-los, moldá-los conforme as máximas dos interesses do Estado que se pretende delinear nas idealizações do progresso civilizador como cultura do Ocidente moderno. Deste modo, o sujeito idealizado, a ser criado frente aos padrões emergentes, deve manterse no vínculo entre a perfectibilidade moral e física, na estruturação do "corpo magistral" pelas vias da purificação da raça como constituição do caráter étnico-racial desejado para a nação. Sob tais parâmetros, o objeto centralizado nas discussões da historiadora Maria Bernardete Ramos Flores sobre a "tecnologia e estética do racismo" se define na "cultura de raça" como coisa cultivada, pensada, criada, num evento que articula as visualizações sobre a nação, o corpo e a sexualidade. A cultura de raça, designada como tecnologia que emprega métodos de eugenia para o aperfeiçoamento e embelezamento da espécie, surge como intento ocidental em finais do século XIX, estendendo seus
doi:10.36661/2238-9717.2009n17.8181 fatcat:fj4s2yk5hzayxlya7t3rxhnjme