IDENTIDADES CONSUMIDAS

Lourenço Regis
unpublished
A entrevista cedida por Zygmunt Bauman ao jornalista italiano Benedetto Vecchi por meio de correio eletrônico, em 2004 e publicada pela Zahar no ano seguinte em livro de 110 páginas com tradução de Carlos Alberto Medeiros, nos apresenta uma abordagem sobre a ideia de identidade a partir de diversas perspectivas (histórica, política, sociocultural e psicossocial), entre as quais o autor pontuará o desenvolvimento de tal noção desde sua projeção sólida pelos estados-nacionais na era pré-moderna
more » ... a era pré-moderna até o seu formato líquido-moderno atual, volúvel e instável. Além disso, discorre sobre as diversas configurações desse fenômeno identitário ao largo dos diversos âmbitos da vida social (nomeadamente do trabalho, da vida amorosa e do consumo), tal como suas consequências nas práticas e hábitos individuais e coletivos (consumismo, individualismo, insegurança). O debate sobre identidade ganhara destaque por sua então recente inserção e repercussão acadêmica, política e midiática. A categoria identidade, do modo como é discutida nesta entrevista, define-se pelo pertencimento de um indivíduo a uma dada comunidade, sob a condição deste indivíduo dotar de características específicas prescritas pela comunidade, dentre as quais hábitos, comportamentos, valores, sentimentos, ações, ideias, preferências, ascendência, fenótipos. Estariam tais indivíduos, portanto, dentro de e para tal comunidade, mutuamente reconhecidos, com a ressalva de que tal sentido de identidade não comportará exatidão plena em todos os casos-estando o termo, nalguns deles, significando certa intersecção entre comunidade e indivíduo, cuja concordância maior ou menor definirá o grau de pertencimento do indivíduo à respectiva comunidade. Consideremos, ainda, que certas características individuais podem obstruir por inteiro a pertença comunitária, invalidando outras características comuns entre as partes-fenômeno análogo ao que em química é conhecido por mistura heterogênea, levando-se em conta que os elementos subjetivos e as leis sociais que os regem não são imutáveis (quem possuísse ascendência judia, 1 Graduado em Ciências Sociais (UFS).
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