Caracterização da epilepsia com início após os 60 anos de idade

Igor Silvestre Bruscky, Ricardo André Amorim Leite, Carolina da Cunha Correia, Maria Lúcia Brito Ferreira
2016 Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia  
Resumo Introdução: Apesar da elevada incidência, a epilepsia no idoso ainda exibe peculiaridades pouco estudadas. A apresentação clínica na maioria das vezes é atípica e os achados nos exames complementares pouco ajudam no diagnóstico. Existem poucas publicações caracterizando esse grupo de indivíduos. Objetivo: Descrever as características de pacientes com epilepsia iniciada após os 60 anos de idade. Método: Foi desenvolvido estudo descritivo de série de casos, onde foram avaliados,
more » ... aliados, consecutivamente, 50 pacientes com diagnóstico de epilepsia iniciada após os 60 anos de idade, atendidos no ambulatório de epilepsia do Hospital da Restauração (Recife-PE). Resultados: Dos 50 pacientes incluídos no estudo, a idade média foi de 75,3 (±13) anos, sendo que 30 (60,0%) eram do sexo feminino e 20 (40,0%) do sexo masculino. A idade média da primeira crise foi de 72,5 (±11,5) anos. Predominaram as crises epilépticas focais (83,8%). A ocorrência de estado de mal epiléptico foi baixa nesse grupo (4,0%). A epilepsia sintomática foi a mais frequente, tendo como etiologia vascular a causa mais encontrada (43,0%). A medicação mais utilizada foi a carbamazepina, e as crises apresentaram uma boa resposta terapêutica com monoterapia em dose baixa. O eletroencefalograma apresentou resultado normal em número elevado de casos (50,0%) e a neuroimagem na maioria das vezes (83,0%) apresentou achados inespecíficos. Conclusão: A epilepsia no idoso é predominantemente focal e sintomática, apresenta baixa ocorrência de estado de mal epiléptico e boa resposta terapêutica. O eletroencefalograma e a neuroimagem, na maioria das vezes, são inespecíficos.
doi:10.1590/1809-98232016019.150074 fatcat:3o4sg56wyzdmjcvryq7fgidqqm