Interoperabilidade na região amazônica: aplicação do método SAPEVO-M na seleção do melhor equipamento logístico a ser utilizado pelas Forças Armadas brasileiras

Alexandre Rocha Violante, Yuri Marinho de Carvalho, Marcos dos Santos, Paulo Afonso Lopes da Silva
2020 Coleção Meira Mattos  
Interoperabilidade na região amazônica: aplicação do método SAPEVO-M para selecionar equipamento logístico a ser utilizado pelas Forças Armadas Interoperability in the Amazon region: application of the SAPEVO-M method to select logistical equipment to be used by the Armed Forces Resumo: O transporte intermodal é imprescindível para o planejador logístico na região Amazônica e, para que seja possível, o custo de manuseio ou o de transbordo não pode ser excessivamente dispendioso. Entretanto,
more » ... so. Entretanto, observa-se que as Forças Armadas têm oportunidades de melhoria nos processos de carregamento e descarregamento na Amazônia, as quais, em 2020, dificultam a interoperabilidade e aumentam o custo agregado. Esta pesquisa aborda o contexto geral da intermodalidade e da integração entre as Forças Armadas no Brasil, bem como apresenta a interoperabilidade nos Estados Unidos e na União Europeia. Como estudo de caso, observou-se algumas necessidades para que ocorra a interoperabilidade na Amazônia. Nesse contexto, aplicouse o método SAPEVO-M para seleção de equipamento a ser utilizado para a movimentação de cargas e integração logística intermodal. Conclui-se que o equipamento selecionado através do método aplicado no Exército pode ser estendido para as outras Forças, de forma que cada uma possua meios para dirimir esse problema logístico. Palavras-chave: Amazônia. Logística. Interoperabilidade. Intermodalidade. Método SAPEVO-M. Abstract: The intermodal transportation is essential to the logistical planner at the Amazon region and, to become accessible, its handling or its transshipping cost cannot be excessively onerous. Along the way, the Armed Forces have opportunities to improve the loading and unloading processes at the Amazon, which, in 2020, hinder the interoperability and increase their aggregate cost. This research approaches the general intermodality's context and the integration between the Armed Forces in Brazil, as well as brings forward the interoperability at the United States and European Union. As a study case, there are some needs that should be solved to improve interoperability in the Amazon. At this context, the method SAPEVO-M had been applied to select the right equipment to be used at the cargo handling and intermodal logistics integration. It is clear from this paper that the equipment selected, through the method applied in the Army, can be extended to the other Forces, on the way that each one will own the means to solve this logistical problem. Introdução No Brasil, há décadas a infraestrutura de transporte enfrenta grandes limitações devido ao investimento insuficiente no setor, a um sistema tributário complexo, a contratos viciosos da administração pública com a iniciativa privada (gerando insegurança jurídica) e ao excesso de burocracia. Essas dificuldades acarretam a elevação do "Custo Brasil" que, consequentemente, é agregado ao valor dos produtos para os consumidores finais. Um estudo realizado em 2019 pelo Movimento Brasil Competitivo em parceria com a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (do Ministério da Economia) apontou que o impacto real desse custo na economia é de R$ 1,5 trilhão, ou seja, 22% do Produto Interno Bruto nacional (MOVIMENTO BRASIL COMPETITIVO, 2019). Em pesquisas mais recentes do Fórum Econômico Mundial, o Brasil aparece na 85ª posição dentre as 141 nações que tiveram sua infraestrutura de transportes avaliada e em última posição na América Latina, demonstrando a magnitude do problema que há no país (WORLD ECONOMIC FORUM, 2019). A Amazônia brasileira possui uma série de fatores fisiográficos, característicos da região, que dificultam ainda mais os transportes regional e inter-regional. Além das grandes distâncias a serem percorridas, a infraestrutura encontra-se defasada em relação às outras regiões brasileiras, por causa dos déficits nas redes rodoviária, hidroviária, aeroportuária e ferroviária, caracterizando a região como um verdadeiro desafio para as atividades logísticas. A Amazônia Legal possui uma superfície de aproximadamente 5.217.423 km², o que corresponde a cerca de 61% do território. Composta pelos estados do Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Amapá, Pará, Tocantins e pelos municípios do estado do Maranhão situados a oeste do meridiano 44º. (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2014) Essa região divide-se em Amazônia Ocidental e Oriental. A Amazônia Ocidental é composta pelos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. A Amazônia Oriental, por exclusão, é composta pelos estados do Pará, Amapá, Mato Grosso, Tocantins e pelos municípios do estado do Maranhão (BRASIL, 1968(BRASIL, , 2007. A definição legal da área amazônica brasileira sempre esteve atrelada à implementação de políticas governamentais para a integração da vasta região e à criação de órgãos públicos. Desta forma, as áreas acima estabelecidas, bem como as supracitadas divisões, sofreram diversas alterações desde que foram criadas. Sua última alteração foi quando a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) foi instituída através da Lei Complementar Nº 124, de 3 de janeiro de 2007. Nessa ocasião, o limite representado pelo Paralelo 13º, vigente até então, foi substituído pelo limite entre os estados de Goiás e de Tocantins (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2014). Na Amazônia, as Forças Armadas (FA), além de outros órgãos, como a Polícia Federal, o Ministério Público e os governos estaduais, resguardam a nossa soberania e preservam o rico bioma vegetal e animal, os imensuráveis patrimônios minerais e a maior bacia hidrográfica do mundo. Segundo Carvalho e Silva Júnior (2019) , o desenvolvimento dos sistemas logísticos aprimorou-se de modo lento e gradual durante séculos, mas se aperfeiçoou, em grande parte, com as atividades militares. Assim sendo, o desenvolvimento do sistema logístico das FA na região é responsável por suprir
doi:10.22491/cmm.a033 fatcat:2nvhtju67fhjzapqqmsrdmmii4