Debate sobre o Artigo de Almeida-Filho: "Transdisciplinaridade e Saúde Coletiva"

Luis David Castiel
1997 Ciência & Saúde Coletiva  
A gradeço muito à editora de Ciência & Saúde Coletiva, M.C.S. Minayo, pelo convite para participar das páginas amarelas desta revista. Não quero deixar de assinalar que este intróito, longe de desempenhar o papel de mero cumprimento de formalidades, refere-se a vários sentimentos agradáveis. Primeiro, satisfação pela oportunidade de debater temas que, após algum tempo de convivência, passaram a desfrutar de tal intimidade, a ponto de terem adquirido um "estatuto" de estimação (não se trata do
more » ... (não se trata do significado estatístico, mas do sentido afetivo) tópicos como saúde coletiva, complexidade, metáforas, objetos indisciplinados... Depois, gratidão por proporcionar uma prazerosa ocasião de dar continuidade às fragmentárias trocas de idéias com um (também estimado) companheiro. Ele, da mesma forma, um aficcionado de jornadas junto a estes "entes de estimação". Todas as vezes que as contingências permitiram o convívio, Naomar é sempre entusiástico, caloroso, bemhumorado e pródigo em idéias criativas sobres estes "bichos". Pena que, na maioria das vezes, os momentos são como coriscos. Rápidos, mas, intensos o suficiente de modo a não passarem despercebidos e servirem de inspiração para os incertos vôos deste debatedor. Em Salvador, agosto de 1995, convidado para um encontro com seus alunos de Pós-Graduação, tive a oportunidade de vê-lo apre-sentando um esboço de elementos que, posteriormente, vieram a ser desenvolvidos no artigo. Na época, achei bastante promissor o esquema que iria desembocar na sua atual visão de transdisciplinaridade (TRDE). Revendo-o, confirmo a impressão de o autor ter dado vazão à sua conhecida capacidade inventiva, propondo encaminhamentos originais e estimulantes. Redundante mencionar a qualidade do trabalho. Este é um traço característico das produções de nosso epidemiologista baiano. Concordo com sua posição quanto aos obstáculos com que as propostas de inter/TRDE apresentadas se defrontam. Na busca de tópicos para estimular o debate, à guisa de provocação, quero ressaltar, como indiquei em outro trabalho, questões que cercam os objetos indisciplinados, a ponto de sugerir uma noção (mal desenvolvida) para abordálos a indisciplinaridade (Castiel, 1996). Vivemos tempos de perplexidade no terreno das demarcações disciplinares e das correspondentes estruturas normativoparadigmáticas que referenciem nossas proposições de conhecimento. Esta perspectiva é discutida por Ilya Prigogine (1996) [muito bem explorada por Sevalho (1997) ao discutir a concepção de tempo na epidemiologial em sua última obra, sintomaticamente intitulada O Fim das Certezas. Leis da natureza podem ser consideradas universais, descritíveis por equações lineares, quando as condições físicas estão próximas ao equilíbrio. Porém, estas constituem exceções ao padrão nãolinear, longe do equilíbrio, explicável por leis ==1 Professor do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos da Escola Nacional de Sáude Pública, Fiocruz.
doi:10.1590/1413-812319972101922014 fatcat:72tuxz25rzdrteb3nal7u65kf4