Paisagem rural da microrregião de Tomé-Açu sob a ótica bertrandiana

Leonardo Sousa Santos, João Santos Nahum, Cleison Bastos Santos, Orleno Marques Da Silva Junior
2020 Revista Brasileira de Geografia Física  
A formação da paisagem da Microrregião de Tomé-Açu (MRGTA) caminha pari passu com a reorganização e a configuração espacial desse território, agrupando intencionalidades sociais, que introduzem nos lugares onde aportam novas temporalidades e espacialidades segundo as lógicas dos mercados mundiais. As estradas, a exploração agropecuária e a expansão urbana são algumas das perturbações significativas nas Unidades de Paisagens (UPs) rurais dessa microrregião. O desafio deste trabalho foi ler e
more » ... rpretar os Mosaicos de Unidades Homogêneas (MUH) através do sistema hierarquizado tripolar bertrandiano GTP (Geossistema-Território-Paisagem), das unidades superiores e inferiores, destacando a complexidade da paisagem rural. Utilizou-se de bases secundárias oriundas de instituições do Governo Federal para representação cartográfica das MUH. Posteriormente, organizou-se um Banco de Dados Geográficos através do Sistema de Informação Geográfica (SIG) QGis 2.18. Com os resultados, evidencia-se que alguns MUH se encontram bem diferentes dos tempos passados, representando uma pluralidade de formas e estruturas de ocupações, principalmente quanto à reprodução do capital, viabilizado e difundido pela ação estatal/empresarial, em especial da paisagem monótona da monocultura do dendê, que tem um arranjo único que causa impacto sociocultural no conjunto geográfico estudado. Do ponto de vista bertrandiano, revela-se que a paisagem da MRGTA possui um conjunto de formas heterogêneas (naturais e artificiais) que possibilitam interpretações particulares de vários tempos, escritos uns sobre os outros, e com idades e heranças de diferentes momentos. Por fim, constata-se que a paisagem da MRGTA possui uma complexidade, e a metodologia aplicada possibilitou ler as marcas e matrizes na paisagem, deixadas no tempo e no espaço dessa microrregião do agronegócio Rural landscape of Tomé-Açu micro region under georges bertrand's perspective A B S T R A C TThe formation of the Tomé-Açu Micro region Landscape (MRGTA), Northern Brazil, goes hand in hand with the reorganization and spatial configuration of this territory, encompassing social intentionalities that introduce new temporalities and spatialities according to the logic of global markets. Roads, agricultural exploitation and urban sprawl are some of the significant disorders for the rural landscape units (UPs) in this micro region. The challenge of this research was to read and interpret the Mosaics of Homogeneous Units (MUH) through Georges Bertrand's tripolar hierarchical system GTP (Geosystem-Territory-Landscape), of upper and lower units, which highlights the complexity of the rural landscape. This research used secondary bases from Federal Government institutions for cartographic representation of the Mosaics of Homogeneous Units. Then, a Geographic Database was organized through the Geographic Information System (GIS) QGis 2.18. The results of the research indicate that some MUH are quite different from the past, representing a plurality of forms and structures of occupancies, especially regarding the reproduction of capital, made possible and disseminated by state and business actions, especially the monotonous landscape of palm oil monoculture, which has a unique conformation that causes sociocultural impact on the studied geographical object. From Bertrand's point of view, it is observed that the landscape of MRGTA has a set of heterogeneous forms (natural and artificial) that enable particular interpretations from different times, written about each other, and with ages and inheritances of different times. Finally, it is understood that the MRGTA landscape has a complexity, and the applied methodology made it possible to read the marks and matrices in the landscape, left in time and space of this agribusiness micro region.Keywords: bertrand, gtp (geosystem-territory-landscape), rural landscape
doi:10.26848/rbgf.v12.7.p2694-2715 fatcat:2tktzxft7bbnljzt3soc5tv2re