O TRÂNSITO EM PAUTA: O DEBATE PÚBLICO, POLÍTICO E JORNALÍSTICO SOBRE O PROBLEMA DA MOBILIDADE

Mara Ferreira, Rovida
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RESUMO: A pauta jornalística e a "fala" dos candidatos à prefeitura paulistana na campanha de 2012 dispensou atenção especial para a questão do trânsito na região metropolitana de São Paulo. Pouco, ou quase nada, contextualizado, o debate sobre a mobilidade resulta, quase sempre, num processo de desilusão dos cidadãos. A dificuldade de entendimento e de direcionamento dessa discussão se deve, em grande medida, ao tratamento espetacular dado ao tema por políticos e jornalistas. O diálogo e o
more » ... . O diálogo e o trabalho comprometido com a mediação social são alternativas possíveis para a espetacularização da notícia sobre a mobilidade. Palavras-Chave:Espetacularização; Mediação Social; Mobilidade; Jornalismo; Dialogia. Apresentação O trânsito entrou em definitivo para a pauta da cobertura jornalística das cidades que fazem parte da chamada região metropolitana de São Paulo, composta por 39 munícipios. Uma mancha urbana onde, muitas vezes, é difícil identificar os limites de cada cidade. Não que a questão do trânsito seja nova, o que realmente não é, mas parece que as atenções para esse aspecto do espaço urbano tem ganhado mais e mais destaque. Isso acaba por se refletir, inclusive, no debate eleitoral. O País inteiro se encontrava, em 2012, às voltas com o processo eleitoral e já era possível notar nos meses que antecederam o primeiro turno das eleições municipais, principalmente, no debate relacionado ao pleito da capital paulista um certo direcionamento para as questões da mobilidade 2. Isso inclui as políticas públicas a respeito da organização do trânsito (regras de restrição, faixas exclusivas, obras de infraestrutura viária, entre outros), investimento em transporte público e, claro, sanções e demais penalidades em casos de acidentes e outras situações de violência no trânsito. Os organizadores das campanhas eleitorais à prefeitura da cidade de São Paulo acompanharam as manchetes dos veículos de comunicação e repercutiram, seja por meio de notas ou por "eventos" com a participação dos candidatos, tudo que era falado sobre a questão da mobilidade. Basta lembrar que na segunda semana de julho de 2012 praticamente todos os candidatos se arriscaram em "passeios" ciclísticos por São Paulo para mostrar que são a favor das bicicletas na cidade. Isso logo depois da divulgação desastrosa de reportagem no Diário Oficial do Estado de São Paulo em que representantes de órgãos ligados à prefeitura paulistana desaconselhavam o uso das bicicletas nas vias públicas do munícipio por conta da falta de segurança. A relação entre a pauta jornalística e o discurso oficial dos candidatos demonstra, em alguma medida, falta de contextualização da realidade urbana. Nesse sentido, o público-eleitor dificilmente consegue compreender 1 Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 2 Os materiais usados como fonte de análise neste artigo foram colhidos durante o período que compreende o início de 2012 até algumas semanas antes do primeiro turno das eleições municipais em 7/10/2012.
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