ABORDAGEM DA HANSENÍASE NA INFÂNCIA EM ÁREA HIPERENDÊMICA DO PARÁ UFPA-Universidade Federal do Pará , UEPA-Universidade Estadual do Pará (2) , FAMAZ-Faculdade Metropolitana Da Amazônia

Bruna Oliveira, Silva, Mara Sílvia, Costa Rodrigues, Marcelo Ferreira, Silva, Igor Fróes, Miranda, Hilma Solange, Lopes Souza, Marcos Fabiano De Almeida, Queiroz (+3 others)
2017 Hansen Int   unpublished
Introdução: Existe atualmente o estudo de questões concernentes ao modo de vida da população e sua condição geral de nutrição como fatores associados à alta incidência da doença, e já foi demonstrado que as áreas de maior prevalência de hanseníase apresentam a maior parte da população vivendo em locais com serviços de saúde inadequados e condições sanitárias precárias. Essas condições propiciam um aumento na endemia da doença, possibilitando que o seu surgimento em crianças-que, normalmente,
more » ... ue, normalmente, não é comum-ocorra de maneira facilitada. O trabalho de diagnóstico precoce e abordagem familiar em famílias de crianças em idade escolar foi realizado na Vila de Santo Antônio do Prata, uma localidade hiperendêmica e ex-colônia de hansenianos no interior do estado, onde atualmente a maior parte da população apresenta baixo nível socioeconômico, habita moradias em inapropriadas condições de vida e apresenta estado nutricional precário. Objetivos: Objetiva-se descrever as relações entre os casos de hanseníase em crianças em área hiperendêmica e as condições socioeconômicas e ocorrência de hanseníase em seus núcleos familiares. Materiais e Métodos: Para tanto, procedeu-se um estudo transversal do tipo qualitativo realizado por meio da aplicação de questionários. A entrevista foi realizada com as mães de cada uma das 3 crianças diagnosticadas com hanseníase através de uma busca ativa realizada em escolas, dentre 17 crianças que passaram por triagem e atendimento multiprofissional especializado na Unidade Básica de Saúde da Vila de Santo Antônio do Prata. A avaliação deu-se por meio do Modelo Calgary de Avaliação Familiar (MCAF), que consiste em um protocolo de abordagem com o objetivo de analisar a família em relação às suas condições de vida e saúde. A aplicação desse modelo permite realizar a análise familiar, levando em consideração os principais aspectos de sua estrutura, desenvolvimento e funcionamento, com a finalidade de ajudar a entender a importância do cuidado em família, tendo em vista que a doença não pode ser considerada um caso isolado de determinados membros. Resultados: A partir disso, observou-se que todas as 3 famílias das crianças diagnosticadas com hanseníase têm renda mensal abaixo ou igual a 1 salário mínimo. As 3 famílias são compostas respectivamente de duas pessoas; 5 pessoas; e 11 pessoas morando na mesma residência. Duas das mães afirmaram que o/a chefe de família tem nível de escolaridade analfabeto ou ensino fundamental I incompleto. Uma das mães não sabe o que é hanseníase e acredita que a transmissão da doença ocorre por meio de contato sexual e/ou compartilhamento de seringas. Todas as famílias têm ou tiveram 3 ou mais casos de hanseníase além da criança diagnosticada. Conclusões: Pode-se então concluir que existe importante relação entre condições socioeconômicas e educacionais deficientes e a ocorrência de hanseníase em crianças em idade escolar. A ecoepidemiologia do processo saúde-doença na comunidade corrobora a associação da hanseníase à pobreza e à precária educação em saúde, uma vez que a manutenção do quadro de contrastes de condições de vida em cenários de exclusão social contribui na ocorrência de doenças negligenciadas.
fatcat:sdlum6z7ljekldw5gmebinih7e