Dinâmica da linha de costa entre a praia da Tartaruga e a desembocadura do rio São João (RJ) [chapter]

Bianca Lima Magalhães, Thaís Baptista, Guilherme Fernandez
2017 Os Desafios da Geografia Física na Fronteira do Conhecimento  
Eixo: SISTEMAS GEMORFOLÓGICOS: ESTRUTURA, DINÂMICAS E PROCESSOS Resumo As praias arenosas são feições dinâmicas, estando, portanto em constante mudança na sua configuração morfológica. Essa mudança causa muitas vezes erosão costeira, que nas praias está associado a déficit sedimentar, ocasionando mudanças na linha de costa. A Praia da Tartaruga, em Rio das Ostras (RJ), apresenta indicadores de erosão associado a mudanças na linha de costa, notadamente por geoindicadores de erosão como arenitos
more » ... xpostos e obras de contenção. Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo avaliar a dinâmica da linha de costa da área de estudo entre os anos de 2005 e 2016. A partir de dados georeferenciados com DGPS em imagens, foi identificado um recuo da linha de costa que em alguns trechos chegam a 13 m, enquanto que em outros não foi notado quaisquer alterações. Tais resultados indicaram que o avanço da erosão não somente danificou a infraestrutura urbana, como também apresenta uma tendência de continuidade deste processo. Palavras chave: erosão costeira. linha de costa 1-Introdução As praias arenosas são feições dinâmicas e estão em constante mudança morfológica devido a uma série de processos, tais como a alternância na energia das ondas, transporte litorâneo, oscilação das marés, além de fatores antrópicos. Esses processos podem alterar o balanço sedimentar, refletindo em alterações na deposição e na erosão de sedimentos no sistema praial. Nesse sentido, podem condicionar processos na mudança na linha de costa que tendem a ser perceptíveis nas escalas de eventos, histórica e até geológica (Cowell e Thom, 1994) . A linha de costa é um dos elementos fisiográficos que melhor responde a tais processos podendo ser determinada por diferentes indicadores. Neste sentido Boak e Turner (2005) agruparam em duas categorias os possíveis indicadores que podem ser utilizados para determinar a posição da linha de costa: feições costeiras discerníveis visualmente e baseados em datum vertical de maré e nível médio do mar. Os indicadores relacionados à primeira categoria podem representar limites de pós-praia ou de contato entre a porção úmida e seca. Para Muehe e Klumb-Oliveira (2005), a linha de costa oceânica é definida pela interseção entre o nível do mar e a terra firme. Sua escolha pode variar de acordo com os objetivos da pesquisa e materiais disponíveis. Apesar de o contato entre a porção úmida e seca ser um dos indicadores mais utilizados, devido a sua fácil identificação em imagens, Boak e Turner (2005) afirmam que sua utilização para fins de reconstituir a evolução da linha de costa deve ser interpretada com cuidado. Tais cuidados devem ser redobrados quando são utilizadas duas imagens como indicação de tendência, uma vez que a variação da largura da praia pode ser resultado do estado morfodinâmico e não resultado de um processo erosivo. Na costa fluminense, parte do litoral do município de Rio das Ostras tem apresentado evidências de erosão costeira expressiva, e alterações da posição da linha de costa, evidenciada entre outros indicadores pela exposição de arenitos na base da falésia, em contato com o pós-praia e obras de contenção, como muros de arrimo. Tais obras, muito provavelmente são tentativas de estabilizar um
doi:10.20396/sbgfa.v1i2017.2356 fatcat:v5anc6zuojaiplllafzp4sqr4i