A locomotiva econômica do mundo

Henrique Rattner
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Os indicadores econômicos referentes ao ano de 2009, enquanto apontam para a estagnação e recessão do PIB (produto interno bruto) em todos os países desenvolvidos, conferem destaque ao crescimento de 10% ao ano, da China. De fato, este resultado iguala praticamente o total das riquezas produzidas na China ao do Japão, o número dois da economia mundial e permite prever, num futuro não muito distante, um crescimento que alcance e ultrapasse os Estados Unidos como maior potência da economia
more » ... da economia mundial. Enquanto o resto do mundo se afunda na crise, a China, graças aos enormes estímulos monetários e fiscais baseados em suas reservas e no superávit comercial, continua em sua trajetória de crescimento impressionante. Uma análise de algumas variáveis-o nível de investimentos, o valor do mercado acionário e os empréstimos bancários atestam para a robustez da economia e dos fundamentos de seu crescimento. As famílias chinesas são menos endividadas do que, por exemplo, as japonesas (35% de sua renda, contra 130% no Japão). O segundo ponto refere ao investimento de capital fixo que alcançou 47% do PIB em 2009, enquanto o resto do mundo padece entre 15 a 20% ao ano, do PIB. Os economistas apontam para a relação capital/produto como indicador do retorno sobre o investimento. Uma medida mais adequada para aferir a eficiência da economia é a PTF-produtividade total dos fatores, ou seja, o aumento da produção não devido diretamente aos insumos de capital e de trabalho. Nas duas últimas décadas, a China apresentou o maior crescimento da PTF de todos os países do mundo. Críticos apontam para a dispersão dos investimentos em capital fixo, o que teria causado capacidade excessiva e ociosa em alguns setores da indústria. Entretanto, os maiores investimentos ocorrem no setor de infra-estrutura, estradas, ferrovias e redes de energia elétrica que sustentarão o processo de crescimento, nos anos vindouros. É possível que, em curto prazo, o retorno sobre o investimento em infra-estrutura seja baixo. Mas, em médio prazo, os benefícios de uma sólida infra-estrutura de energia e transportes são inegáveis, a exemplo do que ocorreu na Inglaterra no século XIX e nos Estados Unidos, no século XX.
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