Moda Afro-Brasileira, design de resistência: o vestir como ação política [thesis]

Maria do Carmo Paulino dos Santos
Agradecimentos Primeiramente, quero agradecer à Deus, por mais essa conquista, por me dar forças para perseverar nesta árdua caminhada. Por me dar saúde, coragem e paciência para vencer os desafios. Agradeço a Nossa Senhora Aparecia por mais essa graça alcançada. Esta é a nona graça que recebo, desde menina quando me tornei filha de Maria, muito obrigada. E a Jesus Cristo por me conduzir, por ser Luz e iluminar os meus passos. Em segundo lugar, agradeço de coração a minha estimada orientadora,
more » ... rofessora Dra. Claudia Regina Vicentini Garcia, pelo carinho, respeito e incentivo, em cada etapa desta pesquisa. Que de forma sensível, delicada e humanizada, compreendeu minhas dificuldades e potencializou minhas qualidades. À professora Cláudia Garcia serei eternamente grata, muito obrigada! Agradeço a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior -CAPES e a Pró -Reitoria de Pós-Graduação, pelas bolsas recebidas durante o período deste mestrado. Esse apoio foi fundamental para que este projeto acontecesse. Foi com este recurso que pude, me alimentar, me deslocar, participar de congressos e seminários, comprar livros, manter a internet em dia, fazer a manutenção do notebook. Sem este apoio financeiro, jamais conseguiria me dedicar a esta pesquisa. Agradeço os professores e as professoras, que diretamente ou indiretamente incentivaram positivamente neste percurso: a estimada profa Dra. Ana Beatriz Simon Factum que desenvolveu a belíssima tese sobre Joalheira Escrava Baiana, a qual instigou-me a definir o objeto desta pesquisa; a profa. Dra. Rosana Paulino; a profa. Dra. Silgia Aparecida da Costa; o prof. Dr. Antonio Takao Kanamura; o prof. Dr. Maurício de Campos Araújo; a profa. Dra. Katia Castilho; a profa. Dra Suzana Helena de Avelar Gomes; a profa Dra. Marília Verlardi; e a profa Dra. Elizabete Franco Cruz. Agradeço a minha família, pelo carinho e paciência ao compreender minhas ausências durante este período. Aos meus amigos (as) e colegas, pessoas queridas, como: -bibliotecário, e as colegas da Educafro -Jaqueline, Andreia, Clélia Maria, Nerilene e ao frei Davi. Agradeço as jovens mulheres negras, blogueiras, em especial a Neomisia Silvestre, a Nanda Cury e a Thaiane Almeida que um dia sonharam, se organizaram e colocaram nas ruas a Marcha do Orgulho Crespo. E, aos Coletivos de Cultura Periférica: Fórum Cultural da Zona Norte, PerifaMove, Casa no Meio do Mundo, pelo enorme aprendizado recebido até aqui. Epígrafe "[...] devo mostrar ao mundo a grande contribuição africana para a história do design e para a história da cultura material brasileira." (FACTUM, 2009, p. 25) RESUMO SANTOS, Maria do Carmo Paulino dos. Moda Afro-Brasileira, design de resistência: o vestir como ação política. 2019. 160 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) -Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. Versão corrigida. O objetivo desta pesquisa foi estudar a Moda Afro-Brasileira como um Design de Resistência e suas imbricações sociais e culturais no campo simbólico, que instiga seu público a se vestir como uma ação política. Percebemos que esse corpo social, usa essa moda, como enunciadora do seu discurso político através da composição visual da sua imagem nas marchas dos movimentos negros. Devido a esta profundidade, elegemos a metodologia da investigação qualitativa, para identificar elementos culturais visuais presentes nestes trajes e, definimos como corpus a Marcha do Orgulho Crespo que aconteceu em São Paulo entre os anos de 2015 a 2017. Devido ao reconhecimento positivo e afirmativo desta marcha contra o racismo e o preconceito étnico-racial no Estado de São Paulo, foi aprovada a Lei 16.682/2018 que instituiu o Dia do Orgulho Crespo, a ser celebrado no dia 26 de julho. Nos debruçamos no arcabouço teórico de Ana Beatriz Simon Factum sobre Design de Resistência para compreender questões relativas à ressignificação de objetos que resgatam o reconhecimento de identidade, a noção de pertencimento, as lutas de resistência e memória da cultura africana como patrimônio cultural brasileiro. Como resultado, a metodologia da investigação qualitativa permitiu a compreensão do conceito de identidade que é mais percebido por meio da imagem da de moda, 36 vezes, do que no discurso, 34 vezes. O conceito de resistência é mais explorado na imagem de moda, onde apareceu 28 vezes, e no discurso apenas 10 vezes. O conceito de pertencimento, também é mais forte na imagem de moda, aparecendo 27 vezes na imagem, contra 15 vezes nos discursos. Esses dados explicam que os conceitos de identidade, pertencimento e resistência são mais fortes, quando materializados na concepção de imagem de moda, do que na construção dos discursos desses corpos sociais. Para o segmento de Moda Afro-Brasileira, esses resultados são relevantes, demonstrando o potencial de crescimento deste novo mercado. Palavras-chave: Moda. Moda -Aspectos Sociais. Moda Afro-Brasileira. Orgulho Crespo. Relações Étnicas e Raciais. ABSTRACT SANTOS, Maria do Carmo Paulino. Afro-Brazilian Fashion, resistance design: the dress up as political action. 160 p. Dissertation (Master of Science) -School of Arts, Sciences and Humanities, University of São Paulo, São Paulo, 2019. Corrected version. The porpouse of this research was to study Afro-Brazilian Fashion as a Design of Resistance and social and cultural implications in the symbolic field of study, prompting its audience to dress as political action. We realize that this social body uses this fashion as an enunciator of its political discourse through the visual composition of its image in the marches of black movements. Because to this profundity, we chose the methodology of qualitative research, identify visual cultural elements present in these costumes and, we defined as corpus the March of Pride Crespo that it happened place in São Paulo from 2015 to 2017. Because to the positive and affirmative acknowledgement of this march against the racism and ethno-racial prejudice in the State of São Paulo, was approved the Law 16.682 / 2018 establishing the Curly Pride Day, to be celebrated on July 26. For this we will use the theoretical knowledge of Ana Beatriz Simon Factum's on Resistance Design to understand issues related to the resignification of objects that rescue the recognition of identity, the notion of belonging, the struggles of resistance and memory of African culture as a Brazilian cultural heritage. As a result, the qualitative research methodology allowed the understanding of the concept of identity that is more perceived through the fashion image 36 times than in the speech 34 times. The concept of resistance is most explored in the fashion image, where it appeared 28 times, and in speech only 10 times. The concept of belonging is also stronger in the fashion image, appearing 27 times in the image, against 15 times in the speeches. These data explain that the concepts of identity, belonging and resistance are stronger when materialized in the conception of fashion image than in the construction of discourses of these social bodies. For the Afro-Brazilian Fashion segment, these results are relevant, demonstrating the growth potential of this new market.
doi:10.11606/d.100.2020.tde-06122019-182505 fatcat:4pq56f26ebbkferycvrxleztqe