APONTAMENTOS NA DIREÇÃO DE UM COMPLEXO DE POLÔNIO: O CONSELHEIRO EM SHAKESPEARE E EM UPDIKE NOTES FOR A POLONIUS COMPLEX: THE COUNSELOR IN SHAKESPEARE AND UPDIKE

Thiago Martins Prado
unpublished
RESUMO: O artigo centra-se na análise do discurso e da ação da personagem Polônio, em Hamlet, de William Shakespeare, a fim de articular a updikiana visão da personalidade do conselheiro no romance Gertrude e Claudius e, a partir daí, descrever as características do personagem que podem servir para uma discussão sobre o comportamento contemporâneo. ABSTRACT: The article is focused on speech analytics and Polonius action in Hamlet, by William Shakespeare, in order to articulate it to Updike's
more » ... e it to Updike's vision of the adviser's personality in the novel Gertrude and Claudius and, from there, describe what preserved or modified characteristics of the character can serve for a discussion on the contemporary behavior. 1. Introdução Ao adotar a antiga orientação aristotélica a respeito do estudo do caráter das personagens dramáticas (análise de falas e ações), pode-se, de imediato, descrever Polônio, em Hamlet, como um indivíduo com uma obsessão pela fala para compensar o seu poder de ação extremamente reduzido na peça. Sob essa perspectiva inicial, interessante notar quais são as aproximações e os distanciamentos possíveis que a personagem Polônio possui em relação ao tão já estudado problema de ausência de ação constatado no próprio príncipe da Dinamarca ou até mesmo, conforme Frye (1992, p.108-109), declarado na constituição das personagens da peça como um todo. Em Polônio, a fala chega a ser o seu equivalente (ou substituto) para a ação. Durante toda a peça de Shakespeare, ele possui 86 falas que precipitam 89 ações que podem ser classificadas em 17 tipos diferentes: pedir, aconselhar, ordenar, sondar, advertir, instruir, cumprimentar, explicar para si mesmo, informar, ornamentar o discurso,
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