(Des)enCAPSulando: os agentes comunitários de saúde e o cuidado da pessoa com transtorno mental [thesis]

Talita Gomes Taniguchi
É expressamente proibida a comercialização deste documento, tanto na sua forma impressa como eletrônica. Sua reprodução, total ou parcial, é permitida exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, desde que na reprodução figure a identificação do autor, título, instituição e ano da dissertação. DEDICATÓRIA À maior professora, exemplo, parceira, amiga e conselheira. À quem sempre fez e fará tudo por mim, mostrando o verdadeiro amor incondicional... ...minha MÃE. AGRADECIMENTOS Agradeço à
more » ... ENTOS Agradeço à minha mãe por me amar tanto e se esforçar sem limites para me ver feliz. Assim como minhas irmãs e padrasto, que colaboraram com o restante das inúmeras atividades e dificuldades de minha vida, para que eu pudesse me dedicar ao mestrado. Às minhas tias e tios pelo apoio e companhia. Ao meu pai e avó, que não puderam estar presentes de coração, mas estiveram presentes de alma. À quem me desafiou, colaborando para que eu me tornasse uma mulher mais forte. Mas que também por me amar, tornou-se um parceiro neste processo. À equipe do LASAMEC, pelo incentivo à pesquisa e escutas acolhedoras. E também às amigas que se tornaram tão presentes e essenciais neste processo. Agradeço à USP, por me permitir fazer ciência em épocas tão complicadas em relação ao investimento em universidades públicas. E às minhas professoras de terapia ocupacional da UNIFESP, por desde a graduação incentivarem um caminho na pós graduação stricto sensu. Aos agentes comunitários de saúde pela participação e sinceridade. À Prefeitura de Itapevi por me autorizar a estudar seu território e contribuir para a melhor qualidade das práticas em saúde pública através do olhar científico. Ao meu coordenador, por acreditar que o estudo de seus profissionais leva para os equipamentos de saúde, práticas melhores e mais efetivas. À melhor equipe que eu poderia fazer parte, equipe do CAPS II Espaço Conviver, agradeço pelo apoio incrível, amizade e escuta. E agradeço à minha orientadora, que mesmo dizendo só fazer a sua obrigação, pode me orientar, acompanhar, aconselhar, escutar e ajudar a transpor as barreiras do processo de pesquisa e do processo da vida. EPÍGRAFE "Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes". Albert Einstein RESUMO TANIGUCHI,T.G. (Des)enCAPSulando: os agentes comunitários de saúde e o cuidado da pessoa com transtorno mental. 2018. 143 f. Dissertação (Mestrado) -Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. Introdução: A reforma psiquiátrica e a desinstitucionalização objetivam um tratamento em saúde mental de base territorial. Alinhados a uma proposta de saúde baseada na descentralização, temos no Brasil o Sistema Único de Sáude (SUS) e a Estratégia Saúde da Família (ESF), que tem no Agente Comunitário de Saúde (ACS), o profissional mais próximo do território, casa e rotina destes usuários. Objetivo: identificar aspectos que influenciam o atendimento de pessoas com transtornos mentais pelos Agentes Comunitários de Saúde, a partir de suas experiências. Métodos: Foram realizadas 4 sessões de grupos focais com o total de 27 ACS de 4 Unidade Saúde da Família (USF) diferentes. Um roteiro semi estruturado norteou as discussões que tiveram seus áudios gravados, transcritos, categorizados por temas e analisados através da metodologia de análise de conteúdo, proposta por Bardin. Resultados: Foram identificadas sete categorias temáticas: articulação e construção da rede; acolhimento, acompanhamento e orientação dos pacientes; educação permanente; respaldo, reconhecimento e estrutura; medo; visão antimedicamentosa; e responsabilidade das famílias. Como aspectos que dificultam o atendimento dos casos de transtorno mental, identificamos um processo falho de cadastramento dos casos, o que facilita a desestabilização do quadro; casos em crise que colocam o ACS em situação de risco; falta de apoio matricial e trabalho em rede. Como aspectos que facilitam o atendimento dos casos de transtorno mental, apareceram a visita compartilhada e educação permanente. Como propostas de enfrentamento, no ambiente da ESF foram propostas: reuniões semanais de equipe; vagas para casos de demanda espontânea; e prontuário da casa, mas com cadastro de cada indivíduo. Também enquadramos aspectos referentes à integração com outros equipamentos de saúde, como aumentar o número de visitas compartilhadas e implantar o apoio matricial. E por fim, as propostas relacionadas à reunião de rede intersetorial, que iria ao encontro da educação permanente. Conclusão: Olhar para o contexto das ações, pensar em inserção social através da reabilitação psicossocial e promover tratamento territorial em saúde mental, continua sendo um desafio. Apesar do distanciamento que ainda existe entre as políticas públicas e as práticas no SUS, as propostas de enfrentamento podem colaborar para a efetivação de um SUS com maior qualidade.
doi:10.11606/d.6.2018.tde-18102018-083105 fatcat:2br2gqli2fg2dezsfm6rccbuhi