RAZÃO TEÓRICA, COSMOPOLITISMO E PAZ PERPÉTUA Theoric reason, cosmopolitism and lasting peace

Kant E-Prints, Campinas
unpublished
This article takes a fresh look at relevant extracts from Kant's first critique. The study emphasizes certain relations which link the Critique of Pure Reason with the German Philosopher's later texts on politics, law and peace among peoples, nations and States. The aim of the analysis is to try to fight the repeated thesis that Kantian philosophy is a solipsist undertaking in origin, development and completion. The concluding section of the study is an attempt to give a satisfactory direction
more » ... o the philosopher's different alternatives in regard to lasting peace. INTRODUÇÃO Configura lugar-comum enquadrar a filosofia kantiana no solipsismo, a começar pela primeira Crítica e nela, paradigmaticamente, a apercepção transcendental. Na verdade, a Crítica da razão pura (1781/87) está repleta de figuras políticas, metáforas jurídicas e referências ao bem comum. Ao longo de sua obra, Kant (1724-1804) estabelece o princípio da publicidade como âncora legitimadora de sua filosofia moral, política e jurídica. O presente trabalho propõe-se a examinar o estatuto filosófico que o espaço público e a publicidade ostentam nos trabalhos do filósofo alemão, em especial em sua filosofia política e na doutrina do direito. PERSUASÃO E ENTENDIMENTO Ao definir, na Crítica da razão pura, a persuasão (Überredung) como mera aparência, Kant tipifica o termo cujo conteúdo não é comunicável porque seu fundamento encontra-se exclusivamente na natureza particular do indivíduo e, mesmo assim, é tomado por objetivo; ou seja, trata-se de um juízo sustentado por argumentos artificiais, dada a aparência que serve de suporte a uma falsa solidez, à diferença do que ocorre com uma convicção (Überzeugung), amparada por juízos fundados em provas seguras. Kant assume a tese de que a persuasão, por um lado, e o convencimento, por outro, correspondem a duas espécies de crença. A primeira delas possui o seu fundamento exclusivamente na natureza particular do sujeito, ou seja, a falsa solidez da persuasão decorre da aparência que lhe serve de suporte. Aqui, na verdade, ocorre um deslocamento arbitrário imposto pelo sujeito que detém a crença e nela deposita credibilidade, ao transformar em princípio objetivo
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