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Melatonina: modulador de morte celular

Cecília da Silva Ferreira, Carla Cristina Maganhin, Ricardo dos Santos Simões, Manoel João Batista Castello Girão, Edmund Chada Baracat, José Maria Soares-Jr
2010 Revista da Associação Médica Brasileira  
Introdução O desenvolvimento biológico e a manutenção da população celular de um tecido são regulados por um processo de morte programada denominado apoptose, responsável pela eliminação de células senescentes ou indesejáveis. Este fenômeno foi primeiramente descrito por Kerr et al. (1972) 1 . Ele é essencial na proliferação e na diferenciação, bem como na sobrevida de células em processos de organogênese, hematopoiese, reposição tecidual, atrofia de órgãos e metamorfose, resposta inflamatória
more » ... posta inflamatória e eliminação de células após dano por agentes genotóxicos 2,3 . No processo de apoptose, as células são induzidas à morte pela ativação de um sistema de morte celular geneticamente e bioquimicamente regulado, envolvendo a participação de moléculas pró-apoptóticas (Fas, Fas-L, Bax, Caspases 2, 3, 6, 7, 8 e 9) capazes de provocar drásticas alterações morfológicas e funcionais. Por outro lado, este processo pode ser inibido pela ativação de moléculas antiapoptóticas (Bcl-2, FLIP) que bloqueiam o surgimento e a evolução destas alterações celulares. Assim, a homeostase (equilíbrio estrutural e funcional essencial para sobrevivência de uma população celular) depende do balanço entre a ativação de moléculas pró e anti-apoptóticas 4,5 . Quando desregulada, a apoptose pode contribuir para o aparecimento de várias doenças neoplásicas, autoimunes e neurodegenerativas 2,5,6 . Deste modo, os avanços no entendimento, controle e combate destas doenças devem-se, em grande parte, aos estudos de morte celular 2,6 . Diversos agentes indutores e inibidores de apoptose são reconhecidos como armas potenciais no combate a doenças relacionadas a distúrbios de proliferação e morte celular, sendo que dentre eles salientamos os hormônios esteroides e não esteróides. Os hormônios esteroides podem apresentar tanto atividade pró-apoptótica 7 quanto antiapoptótica 8 . RESUMO A apoptose ou morte programada é um fenômeno biológico essencial para o desenvolvimento e manutenção de uma população celular. Neste processo, as células senescentes ou indesejáveis são eliminadas após ativação de um programa de morte celular, que envolve a participação de moléculas pró-apoptóticas (Fas, FasL, Bax, Caspases 2, 3, 6, 7, 8 e 9). A ativação destas moléculas provoca típicas alterações morfológicas como a retração celular, perda de aderência à matriz extracelular e às células vizinhas, condensação da cromatina, fragmentação do DNA e formação de corpos apoptóticos. Moléculas antiapoptóticas (Bcl2, FLIP) bloqueiam o surgimento e a evolução destas alterações celulares e evitam a morte celular. É o equilíbrio entre moléculas pró e antiapoptóticas que assegura a homeostase tecidual. O descontrole da apoptose pode contribuir para o aparecimento de diversas doenças neoplásicas, autoimunes e neurodegenerativas. Diversos agentes indutores e inibidores de apoptose são reconhecidos como armas potenciais no combate a doenças relacionadas a distúrbios de proliferação e morte celular, dentre eles, destacam-se os hormônios. A melatonina tem sido relatada com importante ação antiápoptótica em diversos tecidos, modulando a expressão de agentes, reduzindo a entrada de cálcio na célula, bem como atenuando a produção de espécies reativas de oxigênio e de proteínas pró-apoptóticas, tal como, diminuição da Bax. O conhecimento de novos agentes capazes de atuar nas vias da apoptose é de grande valia para o desenvolvimento de futuras terapias no tratamento de diversas doenças. Assim, o objetivo dessa revisão é elucidar os principais aspectos da morte celular pela apoptose e o papel da melatonina neste processo. unitermos: Melatonina. Glândula pineal. Apoptose. Caspases. Proteínas reguladoras de apoptose.
doi:10.1590/s0104-42302010000600024 pmid:21271142 fatcat:unzqpec3n5exrn2k7rrtixi5fm