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Fronteiras e diálogos disciplinares na pesquisa e na graduação - Entrevista com Stelio Marras

Barbara Soares, Larissa Tanganelli, Thiago Oliveira
2014 Primeiros Estudos  
É comum falar-se na necessidade de um diálogo mais constante, desde a graduação, entre as diferentes disciplinas que compõem as ciências sociais. Entretanto, verifica-se que cada vez mais as pesquisas devem se enquadrar não somente nas fronteiras de uma disciplina, mas também em determinado subcampo de estudos inscrito nessa disciplina, o que acontece já na graduação. O debate a respeito da chamada interdisciplinaridade divide cientistas sociais, alguns argumentando pela intensificação do
more » ... nsificação do diálogo, outros afirmando o campo de investigação a partir das delimitações formais. Para Stelio Marras, essa interdisciplinaridade deve ser ainda mais radical. Ele defende não somente que o diálogo dentro das ciências sociais seja intensificado, mas que haja um intercâmbio mais constante entre as ciências sociais e as ciências naturais. Nesse sentido, argumenta que a pesquisa na graduação é o espaço privilegiado para se iniciar esse processo. Stelio Marras é antropólogo, com toda a sua formação tendo sido completada na Universidade de São Paulo. Atualmente, é professor e pesquisador no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), um instituto de base interdisciplinar, ainda que restrito às ciências sociais e às humanidades. Suas pesquisas se concentram nos chamados Science Studies e em Antropologia da Ciência e da Modernidade. Primeiros Estudos: Professor Stelio Marras, você é bacharel em Ciências Sociais, mestre e doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Como você vê a relação entre a sua trajetória acadêmica e as pesquisas desenvolvidas na graduação? Stelio Marras: Entendo que para quem pretenda seguir carreira acadêmica, as primeiras pesquisas na graduação são fundamentais. Elas vão logo revelar o gosto ou não do estudante pela atividade de pesquisa, além de também poder indicar a especialidade que mais o atrai. E penso que, sobretudo, elas dão ensejo ao que considero o mais importante na educação (inclusive, e não apenas, no Ensino Superior), que é adquirir autonomia, criatividade e liberdade para experimentar hipóteses, argumentar e refletir a partir do que é mobilizado na bibliografia e no campo. Por isso mesmo, aliás, vejo com muito bons olhos as declarações do novo reitor da USP, que vem insistindo em prover a graduação com mais atenção e recursos. De fato, se não concentrarmos maiores investimentos na graduação, incluindo estímulos
doi:10.11606/issn.2237-2423.v0i6p149-154 fatcat:b7f4eb4fevfwvd2yu5qc2akk44