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Editorial

Marilda Gonçalves Dias Facci, Adriana De Fátima Franco, Alvaro Marcel Palomo Alves
2017 Psicologia em Estudo  
EDITORIAL 'La ciência que no se ve no existe'. (Lema do portal do Redalyc) Há alguns anos ouvimos o lema acima de uma pesquisadora do Redalyc. No último evento promovido pela Associaçao Brasileira de Editores Científicos -ABEC, em Curitiba, no mês de novembro, novamente esse lema veio à tona. Em meio a discussões sobre indexação, fator de impacto, ética nas publicações, entre outros assuntos, um grande destaque foi apresentado em relação a necessidade de divulgarmos o que está sendo produzido
more » ... á sendo produzido nas várias ciências. Com muitas revistas deixando de ser impressas, a defesa de vários editores, pesquisadores, é que não faz mais sentido deixarmos manuscritos aprovados sem serem divulgados. A ideia é socializar o artigo o mais rápido possível para ser acessado pelos interessados nas várias temáticas. Aquilo que já foi objetivado necessita ser apropriado por um maior número possível de leitores e, nesta linha, as mídias sociais possibilitam que a população em geral, ou pelo menos aqueles que estão conectados a internet, possam refletir sobre os resultados de pesquisas realizadas, pois, a "ciência que não se vê não existe". Nessa linha de raciocínio, não basta mais publicar somente em português. É necessário publicar em inglês, para que povos de outras nações possam ter acesso aos estudos. Globalização, rapidez, quantidade de citação, produtivismo, fazem parte da agenda das discussões sobre a editoração de periódicos. Se por um lado compreendemos a relevância de socializar os conhecimentos produzidos pela humanidade, como bem salienta Saviani (2003) quando trata da função da escola, ou quando afirma que a universidade não pode ser o "cemitério da cultura" (Saviani, 2005) , nos questionamos se vamos resistir a essa velocidade exigida pelo contexto atual. Rapidez na produção, rapidez no consumo, e, muitas vezes, rapidez nas análises do que lemos. Em suma, a ciência que não se pensa não é ciência. Na contradição do aumento da produção, atestado, por exemplo, pelos relatórios de avaliação dos Programas de Pós-graduação em Psicologia, temos, como foi apresentado no evento da ABEC, a informação de que cerca de 50% dos artigos nunca tiveram um download. Para que produzir tanto, se o que estamos produzindo nem sempre provoca interesse? Ou, ainda, criamos a necessidade de produzirmos muito em pouco tempo, quem terá tempo para leitura? Sem a leitura da produção na área, como produzir ciência? Como tornar importante os resultados da pesquisa, como contribuir para o avanço da ciência, e, no nosso caso, da Psicologia? Nossas produções estão causando impacto na compreensão do psiquismo humano, das problemáticas vividas, individualmente, mas produzidas a partir das condições histórico-sociais? São dilemas que atormentam aqueles que escrevem e aqueles que publicam o que foi produzido. As publicações estão aí, disponibilizadas. Quando chega outubro, novembro, a sensação de que falta pouco tempo para terminarmos nossas tarefas provocam desespero e a contagem regressiva começa para chegar as férias... Um último folego ainda é necessário para que possamos nos debruçar sobre os temas que estão sendo abordados no último número da revista deste ano, tais como a docência, a velhice, saúde, gênero, modos de subjetivação, adolescência, trabalho, entre outros que poderão ser encontrados. A Psicologia e as ciências afins tem muito para explicar na época atual. Os leitores não devem se preocupar se não tiverem tempo para ler os artigos neste momento. Eles ficarão registrados na história e poderão ser consultados a qualquer hora para serem debatidos, questionados, causando concordância ou discordância. Mas é importante que sejam lidos. Mistura de esperança, de apreensão, de desilusão, inconformismo, de necessidade de luta, de desamparo, de crítica fizeram parte dos editoriais deste ano da revista Psicologia em Estudo. São sentimentos contraditórios vivenciados por todos, mas que nos impulsionam a querer levar aos leitores pesquisas de qualidade, reflexões que tirem as pessoas do senso-comum, tendo como base o conhecimento científico, o conhecimento clássico, que resistiu e resiste ao tempo ... O final do ano está aí e como bem afirma Mário Quintana, no poema abaixo, é necessário esperança. Não uma esperança passiva, no deixar a vida nos levar, mas uma esperança comprometida com a coletividade. Em tempos sombrios ela precisa nos alimentar para que a caminhada de 2018 seja iniciada com vistas a transformação...
doi:10.4025/psicolestud.v22i4.41038 fatcat:micaiom3lne7nkggd3brnv2s7y